CRONOLOGIA 1987

16/01/1986. Octávio Pinto Guimarães e Nabi Abi Chedid são eleitos presidente e vice-presidente da CBF.

 

28/07/1986. Em reunião realizada na sede da CBF, as federações decidem que o Campeonato Brasileiro do ano seguinte, 1987, será disputado por apenas 24 clubes, a ser selecionados durante o Campeonato de 1986. Submetida a votação, a proposta foi aprovada por quatorze votos a dez. As dez federações dissidentes defendiam limitar ainda mais, a vinte clubes, a participação no Campeonato de 1987.

 

11/08/1986. A CBF divulga a rodada inaugural da Copa Brasil 1986. Torneio terá 44 clubes na Taça de Ouro e 36 no Torneio Paralelo (a segunda divisão).

 

14/08/1986. A CBF divulga as regras da Copa Brasil 1986. Dos 44 clubes da Taça de Ouro, 28 estariam classificados para a segunda fase. A estes somar-se-iam outros quatro do Torneio Paralelo. Ao término da competição, deveriam definir-se os 24 clubes classificados para a “Divisão Especial” (a primeira divisão) do Campeonato Brasileiro de 1987. Estariam rebaixados todos os clubes eliminados ao término da primeira fase, mais oito clubes dentre os eliminados ao término da segunda fase.

 

30/08/1986. Coritiba e São Paulo abrem a Copa Brasil 1986.

 

01/09/1986. O Vasco da Gama começa o campeonato perdendo para o Náutico por 0 a 1, no Recife.

 

04/09/1986. Eurico Miranda revela que tentou convencer “todos os grandes clubes do Rio de Janeiro a não participar do campeonato [brasileiro]” e “realizar outra competição paralela”.

 

15/09/1986. Octávio Pinto Guimarães nega possibilidade de virada de mesa para beneficiar o Vasco, que a esta altura já tinha perdido três e empatado dois jogos.

 

21/09/1986. Vasco perde para o Rio Branco por 1 a 0 e é o último colocado do grupo. Restam-lhe quatro jogos (Tuna Luso, Atlético-GO, Operário-MT e Piauí) para evitar a eliminação e o rebaixamento.

22/09/1986. Eurico Miranda afirma que, se necessário, o Vasco da Gama brigará na Justiça pela vaga na primeira divisão de 1987. Alega que o regulamento da competição é “ilegal”, porque, por norma do CND, “não pode haver rebaixamento sem que a fase classificatória seja disputada em turno e returno”. Octávio reitera que não haverá virada de mesa.

 

24/09/1986. O Vasco vence a sua primeira partida na competição, ao bater a Tuna Luso por 3 a 0, em Belém.

 

25/09/1986. Vasco propõe “superliga” independente, em oposição à CBF, com a participação dos 16 maiores clubes brasileiros.

 

26/09/1986. Octávio Pinto Guimarães afirma que “paga para ver” a liga independente proposta pelo Vasco.

 

29/09/1986. O Joinville empata com o Sergipe em 1 a 1, em Santa Catarina. Ao término da partida, o meia Carlos Alberto é escolhido para submeter-se a exame anti-doping.

 

02/10/1986. Em Goiânia, o Vasco da Gama empata com o Atletico-GO em 0 a 0. Com o resultado, o Vasco somente poderia classificar-se para a segunda fase pela repescagem (por “índice técnico”) em disputa com clubes de outros grupos: teria de vencer os seus dois jogos restantes (Operário-MT e Piauí) e torcer por uma combinação de resultados nas partidas envolvendo os demais aspirantes às vagas da repescagem.

 

05/10/1986. No Rio, o Vasco da Gama bate o Operário-MT por 6 a 0. A essa altura, há seis candidatos a três vagas restantes na repescagem: Vasco, Sobradinho, Comercial (MS), Santa Cruz, Botafogo e Joinville. O Vasco teria de vencer o Piauí, em sua última partida, e torcer para que Sobradinho, Comercial e Joinville não vencessem os seus jogos.

 

06/10/1986. A Universidade Federal de Santa Catarina anuncia que o meia Carlos Alberto, do Sergipe, jogara dopado contra o Joinville. Se o Joinville ganhar os dois pontos do jogo, conquistaria uma das três vagas restantes na repescagem.

 

07/10/1986. O Vasco da Gama bate o Piauí, no Rio, por 2 a 0. Com o resultado, o clube somente poderia ser eliminado da competição se de fato o Joinville ganhasse os pontos do jogo com o Sergipe. Eurico Miranda ameaça melar o campeonato caso isso ocorra.

Na mesma data, o Conselho Nacional de Desportos (CND) promulga as suas resoluções de n° 16/86, 17/86 e 18/86, que visam à completa reorganização do futebol brasileiro. Em seus termos, a partir de 1988, o Campeonato Brasileiro da primeira divisão deveria disputar-se por apenas 20 clubes; os regulamentos dos campeonatos Brasileiro e estaduais teriam de ser aprovados pelos clubes participantes, reunidos em conselho arbitral; e estabelecem-se limites máximos de participantes nos campeonatos estaduais.

 

08/10/1986. A contraprova torna a apontar o doping do meia Carlos Alberto, do Sergipe: em sua urina, há rastros do receptor adrenérgico oximetazolina, presente no descongestionante nasal Afrin. A imprensa passa a dar como certo que o Joinville conquistará o ponto perdido contra o Sergipe. Com isso, o Vasco e o Comercial (MS) lutariam pela última vaga restante na repescagem. Ao Comercial, bastaria um empate com o Alecrim (RN) para classificar-se e eliminar o Vasco. Eurico Miranda e Eduardo Viana pedem a Octávio Pinto Guimarães que “Vasco, Americano, Coritiba e um outro clube a ser definido sejam incluídos na próxima fase”. Octávio torna a afirmar que uma virada de mesa é inadmissível.

 

09/10/1986. Em Campo Grande, o Comercial (MS) empata com o Alecrim em 0 a 0. Com isso, o Vasco só se classificaria se o Joinville não conquistar, na Justiça desportiva, o ponto perdido contra o Sergipe. Eurico Miranda ameaça levar o caso à Justiça. Os jogadores do Vasco, inclusive Romário, apoiam uma virada de mesa.

 

10/10/1986. A Justiça desportiva dá ao Joinville o ponto perdido no jogo contra o Sergipe. A CBF elimina do campeonato a Portuguesa (SP), por ter ingressado na Justiça comum, ao término da primeira rodada, para questionar desconto nas rendas das partidas em favor das federações estaduais. Com isso, Joinville e Vasco estariam classificados para a segunda fase. O presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, propõe boicote dos clubes paulistas ao campeonato, em solidariedade à Portuguesa.

 

11/10/1986. A Portuguesa obtém, na Justiça comum, liminar que determina a suspensão de todos os jogos do grupo K (que seria o seu e passara a ser o do Vasco). O Santa Cruz também recorre à Justiça, por entender que deveria ter sido beneficiado com a vaga atribuída ao Vasco, já que exige o ponto que perdera em empate contra a Portuguesa.

 

12/10/1986. A Portuguesa obtém, na Justiça comum, liminar determinando a sua inclusão na segunda fase. Os presidentes do Corinthians e do São Paulo ventilam a ideia de manter a Portuguesa na competição, criando, em contrapartida, quatro vagas adicionais na segunda fase, que seriam atribuídas a Vasco, Santa Cruz, Náutico e Sobradinho.

 

13/10/1986. Diante da liminar obtida pela Portuguesa, a CBF determina a eliminação do Joinville e a manutenção da Portuguesa e do Vasco no campeonato. Castor de Andrade, do Bangu, insiste na proposta de incluir mais quatro clubes na segunda fase.

 

14/10/1986. A CBF derruba, na Justiça comum, a liminar obtida pela Portuguesa, e o clube está novamente eliminado. Nesta altura, há 31 clubes classificados para a segunda fase, e o Vasco volta a depender do julgamento do caso do Joinville no Tribunal Especial da CBF.

 

15/10/1986. O CND concede nova liminar em favor da Portuguesa, determinando a sua inclusão na segunda fase.

 

16/10/1986. O Tribunal Especial da CBF decide não atribuir ao Joinville o ponto perdido contra o Sergipe: responsabiliza apenas o médico do Sergipe, Genival Barros da Silva, proibindo-o de atuar em competições esportivas. Nem o Sergipe, nem o meia Carlos Alberto sofrem qualquer punição. O Joinville recorre ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e ao CND.

 

17/10/1986. O CND determina a inclusão do Joinville na segunda fase, como 33° participante. Circula a versão de que outros três clubes poderiam ser incluídos por “índice técnico”: o Santa Cruz, o Náutico e o Sobradinho.

 

20/10/1986. A CBF consuma a virada de mesa, ao aceitar proposta da Associação Brasileira de Clubes de Futebol (ABCF) de uma segunda fase com 36 clubes, em lugar de 32. Com isso, Vasco da Gama, Portuguesa, Joinville, Santa Cruz, Náutico e Sobradinho estão classificados. Pelas novas regras, a primeira divisão de 1987 teria 28 clubes, em lugar dos 24 originalmente previstos. Além das agremiações eliminadas ao término da primeira fase, estariam rebaixados oito clubes dentre os participantes da segunda fase (os dois últimos de cada um dos quatro novos grupos).

 

31/10/1986. O Coritiba obtém, na Justiça Federal do Paraná, liminar determinando a sua inclusão na segunda fase do campeonato. O clube alegou que a CBF descumprira o regulamento que ela própria adotara, no princípio da competição, e que por isso não se aplicavam as regras pelas quais ele, o Coritiba, fora eliminado.

 

10/11/1986. O Tribunal Federal de Recursos (TFR) não acolhe recurso da CBF e mantém o Coritiba na segunda fase do campeonato.

 

11/11/1986. Em ação diversa, a CBF obtém de juízo de primeira instância, no Rio, liminar determinando que o campeonato prossiga sem o Coritiba.

 

12/11/1986. Octávio Pinto Guimarães afirma que, como represália por ter recorrido à Justiça comum, o Coritiba não será convidado a participar do Campeonato Brasileiro de 1987.

 

13/11/1986. Diante da existência de duas liminares em sentidos contrários, o Coritiba pede ao TFR que prevaleça a liminar do juízo federal paranaense, que determinara a sua inclusão no campeonato.

 

20/11/1986. A CBF aprova o calendário de competições para 1987. O Campeonato Brasileiro começaria a 31 de agosto e terminaria a 8 de dezembro.

 

10/12/1986. O TFR decide que a competência para julgar ações envolvendo o caso do Coritiba é da Justiça Federal do Paraná e derruba a liminar obtida pela CBF a 11 de novembro.

 

12/12/1986. Começa a segunda fase do Campeonato Brasileiro.

 

13/12/1986. O Botafogo empata com o Bangu em 0 a 0 e passa a correr sérios riscos de rebaixamento. Diante disso, passa a defender a tese de que somente os vinte primeiros colocados do ranking da CBF deveriam participar do campeonato de 1987.

 

14/12/1986. O campeonato é interrompido para as férias dos jogadores.

 

19/12/1986. A Justiça Federal do Paraná julga o mérito da ação ajuizada pelo Coritiba e determina que o clube seja reintegrado ao campeonato. O vice-presidente do Fluminense, José Carlos Vilella, propõe que nenhum dos clubes participantes aceite jogar contra o Coritiba.

 

06/01/1987. A ABCF decide, por 17 votos a seis, não aceitar a volta do Coritiba ao campeonato. A maioria de seus integrantes adota a resolução de não jogar contra o clube paranaense. Entidade também convoca simpósio para fevereiro, “para discutir a próxima Copa Brasil”. Walter Oaquim, presidente do Conselho Deliberativo do Flamengo, aventa a ideia de uma liga independente a contrapor-se ao Campeonato Carioca da FERJ.

 

07/01/1987. Eurico Miranda recusa-se a endossar a liga carioca independente.

 

13/01/1987. O TFR concede nova liminar à CBF, suspendendo a decisão da Justiça Federal em favor do Coritiba.

 

15/01/1987. Flamengo, Vasco da Gama, Fluminense, Botafogo, América e Bangu decidem apresentar, no simpósio da ABCF, proposta de que a próxima edição do Campeonato Brasileiro seja disputado por apenas vinte clubes.

 

16/01/1987. Nabi Abi Chedid defende que a próxima edição do Campeonato Brasileiro conte com “o máximo de dezesseis clubes na primeira divisão”.

 

25/01/1987. Recomeça o Campeonato Brasileiro.

 

29/01/1987. Fim da segunda fase do Campeonato Brasileiro. Pelo regulamento, para além dos doze clubes desclassificados na primeira fase (entre os quais o Coritiba), estariam rebaixados para a segunda divisão os seguintes clubes: Botafogo (RJ), Ponte Preta (SP), Vitória (BA), Central (PE), Sport (PE), Comercial (MS), Nacional (AM) e Sobradinho (DF).

 

05/02/1987. Marcio Braga, presidente do Flamengo, propõe a extinção das federações estaduais de futebol. O presidente do CND, Manoel Tubino, considera a proposta “legalmente possível”.

 

10/02/1987. Marcio Braga pede ao CND que intervenha na Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), por ter iniciado a disputa do Campeonato Carioca com a Copa Brasil ainda em andamento. O presidente da FERJ, Eduardo Viana, alega que o campeonato que se disputa ao arrepio do calendário estabelecido é a Copa Brasil, que deveria ter-se encerrado a 21 de dezembro de 1986.

 

20/02/1987. Primeiro simpósio da ABCF reúne-se em Belo Horizonte. Não há consenso quanto à fórmula do campeonato de 1987: Botafogo, Coritiba, Ponte Preta e Sport não aceitam endossar a fórmula de Octávio Pinto Guimarães de um campeonato com 28 clubes. Os clubes coincidem, no entanto, em defender a deliberação por voto qualitativo nas federações e a instituição de conselho arbitral para a adoção dos regulamentos das futuras edições do Campeonato Brasileiro.

 

24/02/1987. O juiz titular da 6ª Vara Federal de São Paulo, dr. Sebastião de Oliveira Lima, concede liminar solicitada por diversas federações estaduais, suspendendo a vigência das resoluções do CND de n° 16/86, 17/86 e 18/86, que instituíam o voto qualitativo nas federações e o conselho arbitral na CBF.

 

25/02/1987. Em Campinas, o São Paulo sagra-se campeão brasileiro após empatar com o Guarani no tempo normal (1 x 1) e na prorrogação (2 x 2) e bater o adversário na disputa de pênaltis (4 x 3).

 

17/03/1987. A CBF divulga a lista dos 28 clubes que participariam da primeira divisão da Copa Brasil de 1987: América (RJ), Atlético (GO), Atlético (MG), Atlético (PR), Bahia, Bangu, Ceará, Corinthians, Criciúma, Cruzeiro, CSA, Flamengo, Fluminense, Goiás, Guarani, Grêmio, Internacional de Limeira, Internacional de Porto Alegre, Joinville, Náutico, Palmeiras, Portuguesa, Rio Branco (ES), Santa Cruz, Santos, São Paulo, Treze (PB) e Vasco da Gama.

 

30/03/1987. O Botafogo anuncia que vai à Justiça pleitear a vaga do Joinville, na primeira divisão do Campeonato Brasileiro de 1987.

 

14/05/1987. Após litígio envolvendo a convocação de jogadores para amistosos da Seleção Brasileira na Europa, Manoel Tubino propõe a negociação de um “pacto esportivo” para restabelecer a ordem no futebol brasileiro (inclusive no que respeita ao Campeonato Nacional).

 

04/06/1987. O STJD determina a inclusão do Botafogo na primeira divisão do Campeonato Brasileiro de 1987. Sustentou o tribunal que o clube carioca acabou prejudicado pela decisão do CND de incluir o Joinville na segunda fase do campeonato de 1986 (na qual o clube catarinense acabou integrando o mesmo grupo do Botafogo). A decisão determina a revogação da portaria da CBF de nº 08/87, que estabelecia em 28 o número de participantes da primeira divisão, além de criar uma segunda e uma terceira divisões.

 

 

09/06/1987. A Justiça Federal do Paraná determina a inclusão do Coritiba na primeira divisão do Campeonato Brasileiro de 1987.

 

11/06/1987. A FIFA, por circular, recorda que “não é permitido às associações nacionais, clubes ou sócios de clubes submeter às cortes de Justiça quaisquer disputas que possam ter com a Federação [nacional] ou outras associações, clubes ou sócios de clubes”.

 

22/06/1987. Dirigentes das federações estaduais reúnem-se em Curitiba e defendem um Campeonato Brasileiro com 28 clubes na primeira divisão. Nabi Abi Chedid afirma que a proposta passou a ser inviável diante das decisões judiciais ou arbitrais em favor do Botafogo e do Coritiba.

 

07/07/1987. Octávio Pinto Guimarães afirma que o Campeonato Brasileiro de 1987 somente se realizará se a CBF conseguir um patrocinador privado ou se os clubes se responsabilizarem pelas despesas de transporte e hospedagem.

 

08/07/1987. O Presidente José Sarney escreve a Octávio Pinto Guimarães pedindo-lhe “o obséquio de examinar a possibilidade de atender” o Botafogo de Ribeirão Preto, que postulava participar da primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Na CBF, circulam versões contraditórias sobre o formato do campeonato. Por um lado, Octávio Pinto Guimarães admitiu a possibilidade de o campeonato ser organizado “pelos clubes de maior rentabilidade, que têm condições de se autofinanciar”, hipótese em que seria disputado “no máximo por 16 clubes”. Por outro lado, o mesmo dirigente afirmou que analisaria “com muito carinho” qualquer pedido do Presidente da República. Nos bastidores, circula a informação de que a CBF prepara um campeonato com 44 clubes.

 

09/07/1987. Marcio Braga reúne-se com Octávio Pinto Guimarães e apresenta-lhe informalmente a proposta de um campeonato com treze clubes, à qual Octávio teria aquiescido. No mesmo dia, Octávio afirma publicamente que está esforçando-se para conseguir patrocinador que permita a realização de campeonato “com 28 ou 29 clubes”, mas complementa: “Mas, se não conseguir, a melhor solução será abrir inscrição para os clubes que se considerem autossuficientes organizarem a Copa Brasil com o patrocínio [institucional] da CBF”.

 

 

10/07/1987. Marcio Braga afirma que “esgotará todos os recursos judiciais” para impedir a realização de campeonato com mais de 28 clubes. Propõe a organização de uma primeira e uma segunda divisões, cada uma com 16 clubes. Também endossa a proposta de Octávio Pinto Guimarães de um campeonato disputado apenas pelos clubes que puderem arcar com os custos de participar. Fábio Egypto, presidente do Fluminense, também defende campeonato com 16 clubes.

 

11/07/1987. Começa a gestar-se o Clube dos Treze: dirigentes dos treze maiores clubes do país reúnem-se na sede do São Paulo e decidem organizar, “sem interferência da CBF”, um campeonato com treze clubes para 1987, com “turno e returno, acesso e descenso”. Batizam o novo campeonato de “Copa União” e propõem que, a partir de 1988, o Campeonato Nacional passe a ter dezesseis clubes na primeira e dezesseis clubes na segunda divisão.

 

12/07/1987. Carlos Miguel Aidar dá maiores precisões sobre a proposta dos treze. Em 1987, seriam disputados dois torneios: o “novo Campeonato Brasileiro”, nos moldes anunciados na véspera, e um segundo torneio com 19 clubes, que serviria para classificar três clubes para a primeira divisão de 1988 e outros 16 para a segunda divisão. Aidar ameaça que, caso a CBF não aceite a proposta, nenhum dos treze grandes disputaria o Campeonato Brasileiro “oficial”, organizando sua competição à parte. Dirigentes do América, Bangu e Portuguesa manifestam-se contra a proposta. Octávio e Nabi reúnem-se e acordam ouvir as 26 federações sobre a organização do Campeonato Brasileiro e sobre as posições expressas pelo Clube dos Treze.

 

13/07/1987. Dirigentes dos grandes clubes do Rio, São Paulo e Minas apresentam oficialmente a proposta da Copa União a Octávio Pinto Guimarães, em tom de ultimato. O presidente da CBF evitou comprometer-se, mas demonstrou abertura à proposta. Portuguesa, Vitória (BA) e Coritiba ajuízam ações na Justiça comum para impedir a realização da Copa União. A Ponte Preta faz o mesmo, na Justiça desportiva. América, Bangu, Náutico, Santa Cruz e Sport também ameaçam entrar em juízo contra a realização do campeonato.

 

14/07/1987. Nabi Abi Chedid assume interinamente a presidência da CBF e afirma que a proposta da Copa União é “ilegal” e que a CBF “não permitirá” a sua realização. Em contrapartida, propõe um campeonato com 48 clubes, com os doze grandes (sem o Bahia) ingressando apenas na segunda fase. O Clube dos Treze afirma que seu movimento é “irreversível” e que seus membros não participarão do torneio organizado pela CBF. Consultado sobre a polêmica, o ministro da Educação, Jorge Bornhausen, afirma: “Não é um problema de ordem pública. As federações [de futebol] são instituições privadas, portanto o Ministério não vai se envolver nesse assunto.”

 

 

15/07/1987. Os treze rejeitam formalmente a proposta de Nabi. Aidar afirma que “estamos cansados de saber que a iniciativa é ilegal, mas todas as revoluções da história começaram na ilegalidade; a lei só as reconhece quando elas triunfam”. No Rio, Nabi convoca para a segunda-feira, 20 de julho, reunião do Conselho Deliberativo da CBF, antecipando: “Vamos aproveitar para fazer uma cirurgia no futebol brasileiro, mas será com leis”. Eurico Miranda reúne-se com Nabi para estudar a conciliação possível. O presidente da federação de Pernambuco, Fred de Oliveira, manifesta-se contra a Copa União, porque ela “estimula a indisciplina”. O Santa Cruz toma a frente da ABCF, abandonada pelos treze, e promete resistir à Copa União. O presidente da Portuguesa, Osvaldo Teixeira, anuncia que convocará para 27 de junho uma reunião com “os quinze” clubes excluídos da Copa União para discutir a situação.

 

16/07/1987. Eurico Miranda torna a reunir-se com Nabi Abi Chedid e dá a entender que os treze podem aceitar ampliar a Copa União, que passaria a ser disputada por 16 clubes. Os demais membros da ABCF começam a coordenar-se no chamado “clube dos quinze”, com a participação de Bangu, Internacional de Limeira e Atlético Goianiense. O presidente da federação do Piauí propõe um boicote ao Clube dos Treze.

 

17/07/1987. O presidente da Assembleia Nacional Constituinte, dr. Ulysses Guimarães, recebe em audiência dirigentes do Clube dos Treze e promete apoiá-los na realização da Copa União, além de facilitar a tramitação de propostas que alterem a legislação esportiva vigente. Os treze defendem, especialmente, que sejam os clubes, e não as federações, que elejam a diretoria da CBF, e que nas federações estaduais passe a viger o voto qualificado. Nabi concorda, em princípio, com o conceito de um campeonato com dezesseis clubes, “mas de uma forma projetada, sem deixar de olhar as pequenas e médias agremiações”.

 

20/07/1987. O Conselho Consultivo da CBF reúne-se, mas não chega a entendimento sobre a fórmula do Campeonato Brasileiro. Eduardo Viana propõe a primeira versão de que se tem notícia de um “cruzamento”: sugere que o vencedor de um torneio com 44 clubes dispute o título nacional com o campeão da Copa União, a ser disputada por dezesseis. Antônio Pithon, da Bahia, sugere dois campeonatos com dezesseis participantes, com dois campeões nacionais, ambos classificados para a Taça Libertadores da América de 1988. Presidentes de pelo menos dez outras federações passam a defender o impeachment de Octávio e Nabi por malversação de fundos e, sobretudo, por beneficiar o Clube dos Treze em detrimento das federações. Os mesmos dirigentes defendem a realização de um campeonato com 48 clubes. Em Brasília, o ministro Jorge Bornhausen afirma que o número de participantes do Campeonato Brasileiro “é um problema da CBF”.

 

 

21/07/1987. Termina de forma inconclusiva reunião entre Nabi e os presidentes de onze federações. Nabi afirma que a CBF organizará, sim, o Campeonato Brasileiro. Propõe dividir os participantes em duas “séries” (e não “divisões”), a primeira com os 28 clubes classificados mais Botafogo, Coritiba e quem mais garantir, em juízo, a sua participação. Os demais clubes comporiam outras séries. A CBF bancaria apenas as séries B e inferiores. Para Nabi, o número de participantes seria detalhe menor: “Pode ser vinte, trinta ou sessenta, não importa o universo. Isto é o nosso embrião, estamos começando.” Eurico Miranda, em resposta, afirma que “não há nenhuma chance de o Clube dos Treze aceitar essa formula: nós queremos no máximo dezesseis”. Ao final do dia, Nabi submete a Aidar sua proposta de um campeonato com 64 clubes divididos em quatro módulos.

 

22/07/1987. Aidar concorda com a proposta de um campeonato dividido em quatro módulos, mediante duas condições: (1)  que os dezesseis integrantes do Módulo Verde joguem apenas entre si; e (2) que o vencedor do Módulo Verde seja reconhecido como campeão brasileiro e tenha vaga garantida na Libertadores de 1988. Aidar admite, de resto, a inclusão de mais três equipes no Módulo Verde (menciona América, Guarani e Santa Cruz ou, alternativamente, Coritiba, Goiás e uma terceira equipe) e aceita que a segunda vaga na Libertadores seja disputada entre o vice-campeão do Módulo Verde “e um outro clube”. Destoando de Aidar, Eurico Miranda afirma que o seu objetivo é apenas que os treze integrem uma única chave do campeonato, com no máximo 16 clubes.

 

 

23/07/1987. Marcio Braga e Carlos Miguel Aidar desmentem Eurico Miranda. Aidar afirma que o Clube dos Treze não se limita a postular para si uma chave ou módulo de um campeonato mais amplo: “mantém a posição de participar do Campeonato Brasileiro apenas com seus treze membros fundadores, aceitando, na melhor das hipóteses, a inclusão de mais três, no máximo”. Já Marcio Braga descarta uma fórmula atribuída a Nabi, com 62 clubes participantes, e afirma, categoricamente, que “não podemos firmar um acordo que acabe por aumentar o número de clubes e termine por gerar prejuízo financeiro”.

 

24/07/1987. A CBF anuncia que os treze, mais Coritiba, Santa Cruz e Goiás, constituirão um “módulo” — o Módulo Verde — do “Grupo 1” do Campeonato Brasileiro. O mesmo grupo seria composto por um segundo módulo, o Amarelo, com Portuguesa, Ceará, Treze (PB), Náutico, CSA, Atlético (GO), Rio Branco (ES), América (RJ), Bangu, Internacional de Limeira, Guarani, Atlético (PR), Criciúma, Joinville, Sport e Vitória (BA). Haveria um Grupo 2, também dividido em dois módulos, cuja composição seria anunciada na semana seguinte.

 

25/07/1987. O Clube dos Treze aceita a fórmula de realização simultânea de quatro módulos, com dezesseis no módulo principal, o Verde. Fica estabelecido que Coritiba, Goiás e Santa Cruz integrariam o Módulo Verde. A Federação Paulista propõe uma fase final com oito participantes (os quatro primeiros do Módulo Verde, os três primeiros do Amarelo e o campeão do Azul), que decidiriam entre si o título brasileiro.

 

27/07/1987. Dirigentes paulistas (Marin e Farah) movimentam-se para incluir o Guarani no lugar do Goiás no Módulo Verde, e o presidente do Guarani, Leonel Martins, pede que Aidar interceda junto à CBF nesse sentido. Nabi descarta a ideia: “a preocupação da CBF foi, primeiro, com os estados que seriam representados e, só depois, com o ranking” (o Guarani era o 14°). Nabi promete para a segunda-feira, 3 de agosto, a definição da fórmula e o regulamento da competição, deixando claro que estava em aberto “quem será o campeão brasileiro e que clubes representarão o Brasil na Libertadores”. A postergação dever-se-ia a três fatores: (1) à conveniência de aguardar o desfecho dos processos judiciais em curso; (2) à necessidade de aguardar o encerramento de todos os estaduais, na medida em que todos os campões deveriam participar de algum dos módulos; e (3) a ajustes ligados à transmissão televisiva das partidas. Sobre o tema do campeão nacional, Aidar volta a pronunciar-se de maneira taxativa: “o campeão brasileiro de 1987 sairá da chave verde [sic] e disputará a Taça Libertadores”. Quanto à outra vaga na Libertadores, admite negociá-la numa disputa com o módulo amarelo.

 

28/07/1987. Guarani, Ponte Preta e Atlético (PR) ameaçam pleitear na Justiça desportiva ou comum a sua inclusão no Módulo Verde, “considerado a elite da Copa Brasil”. Para o presidente do Atlético Paranaense, Milton Isfer, o Módulo Amarelo não passaria de “uma segunda divisão disfarçada”.

 

 

29/07/1987. América e Ponte Preta ajuízam ações no STJD para integrar no Módulo Verde. Nabi ameaça “desconvidar” os clubes que ingressarem na Justiça comum e avança o argumento de que os módulos não constituem “divisões”.

 

31/07/1987. O Bangu ingressa na Justiça comum para garantir a sua presença no Módulo Verde. Juiz da 24ª vara cível do Rio determina que a CBF cumpra a sua resolução da diretoria de n° 11/86, que previa um campeonato com 28 clubes. A CBF afirma que a resolução foi revogada por ato superveniente. Dirigentes do Guarani promovem reunião, em Campinas, com representantes da Federação Paulista e dirigentes de oito clubes do Módulo Amarelo.

 

05/08/1987. O Tribunal Federal de Recursos mantém a liminar concedida a dezessete federações estaduais contra as resoluções do CND nº 16/86, 17/86 e 18/86. Manoel Tubino afirma não ter dúvidas de que, ao julgar o mérito, o TFR derrubará a liminar e as resoluções voltarão a estar vigentes. Nesse caso, antecipou, as federações e a CBF “poderão ter seus atos analisados pelo CND e poderão ter problemas”.

 

06/08/1987. Sob o comando de Eduardo Viana, 24 dirigentes de federações estaduais reúnem-se com o ministro da Educação, Jorge Bornhausen, para pedir a destituição de Manoel Tubino. Os mesmos dirigentes propõem um campeonato com 80 clubes divididos em quatro módulos, com os campeões de cada módulo disputando um quadrangular final para definir o campeão brasileiro. Octávio Pinto Guimarães promete divulgar o regulamento do campeonato na semana seguinte, mas antecipa que pretende um campeonato com 64 clubes divididos em quatro módulos, com um quadrangular final.

 

07/08/1987. O Clube dos 13 anuncia o “rompimento definitivo” com a CBF: organizará a Copa União apenas entre os treze (e não com dezesseis clubes). Aidar afirma que seriam apresentados, nos dias subsequentes, o regulamento e a tabela da competição. Marcio Braga afirma que os treze “não tomarão conhecimento” da Copa Brasil organizada pela CBF e que “não estão preocupados” em disputar a Libertadores. Nabi afirma que “não haverá nenhum torneio ou campeonato paralelo”, porque “a CBF não dará permissão”.

 

09/08/1987. Nabi redobra a aposta ao afirmar que os clubes que o “desobedecerem” não poderão jogar nem amistosos. Aidar afirma que, se for necessário, os treze vão à Justiça para garantir a realização da Copa União.

 

10/08/1987. Nabi promete para o dia seguinte, 11 de agosto, a divulgação da tabela e do regulamento do Campeonato Brasileiro. Confirma a realização de quatro módulos, com dezesseis clubes em cada um.

 

12/08/1987. Dirigentes do Clube dos Treze reúnem-se com o ministro Jorge Bornhausen para apresentar o projeto da Copa União, “que será disputada paralelamente ao Campeonato Brasileiro da CBF”. Bornhausen limitou-se a intermediar novo encontro entre os treze e Octávio Pinto Guimarães. O Clube dos Treze encarrega Marcio Braga de montar a tabela da competição.

 

13/08/1987. Nabi anuncia a rodada inaugural do Módulo Verde, marcada para 30 de agosto, com a participação de Coritiba, Goiás e Santa Cruz. Fala em rebaixamento entre o grupo A (composto pelos módulos Verde e Amarelo) e o grupo B (composto pelos módulos Azul e Branco) e afirma peremptoriamente que o campeão brasileiro resultará do cruzamento entre os módulos Verde e Amarelo. Em Brasília, reunião entre Aidar, Octávio e Bornhausen termina de forma inconclusiva. Bornhausen defende o cruzamento entre os módulos Verde e Amarelo como saída conciliatória. Nova reunião é marcada para a segunda-feira, 17 de agosto.

 

14/08/1987. Dirigentes do Flamengo anunciam a rodada inaugural da Copa União, com data (13 de setembro) e jogos diversos daqueles anunciados por Nabi na véspera. O presidente do América anuncia que vai ajuizar ação para que o clube seja incluído no Módulo Verde, por entender que o Módulo Amarelo é a segunda divisão.

 

15/08/1987. Nabi expõe em maior detalhe a sua fórmula para o Campeonato Brasileiro: para além da realização simultânea dos quatro módulos, afirma que o campeão resultará de um quadrangular envolvendo os dois primeiros colocados do Módulo Verde e os dois primeiros colocados do Módulo Amarelo, em um ou dois turnos. Paralelamente, seria realizado um segundo quadrangular entre os dois últimos colocados do Módulo Verde e os dois últimos do Módulo Amarelo; os dois times de pior desempenho neste quadrangular “trocariam de lugar” com os vencedores dos módulos Azul e Branco.

 

16/08/1987. Os presidentes de 22 federações estaduais exigem a renúncia de Octávio e Nabi e ameaçam iniciar procedimentos com vistas ao seu impeachment. Após nova reunião inconclusiva com Bornhausen e Octávio, Aidar insiste em que o Clube dos Treze realizará por conta própria a Copa União, cuja tabela e regulamento seriam divulgados no dia seguinte.

 

17/08/1987. O Clube dos Treze, de um lado, e Nabi, de outro, divulgam tabelas completamente distintas para a Copa União (ou o “Módulo Verde”, na versão de Nabi). No formato do Clube dos Treze, o torneio seria disputado apenas por treze clubes; no formato de Nabi, por dezesseis (com a participação de Coritiba, Goiás e Santa Cruz). Aidar afirma que os treze “declinam do convite” para participar do campeonato da CBF. Em Brasília, Bornhausen, Aidar e Octávio tornam a reunir-se, sem chegar a qualquer acordo. Na CBF, os presidentes de 21 federações estaduais, capitaneados por Eduardo Viana e Fred de Oliveira, pedem a convocação da assembleia geral que trataria do impeachment de Octávio e Nabi. Bornhausen considera o pedido “antidemocrático” e “sem embasamento legal”.

 

18/08/1987. O Clube dos Treze divulga oficialmente a tabela e o regulamento originais da Copa União. Competição teria dois turnos, com os campeões de cada turno decidindo o título entre si, em dois jogos (ou com um triangular de três jogos, no caso de um terceiro clube pontuar mais).

 

19/08/1987. Eduardo Viana impõe condições para mediar um acordo entre a CBF e as federações amotinadas — entre elas, a principal seria o rompimento de Octávio com Braga, Tubino e Aidar. Nabi divulga a rodada inaugural do Módulo Amarelo.

 

20/08/1987. Nabi torna a afirmar que os clubes dos Módulos Verde e Amarelo terão de enfrentar-se num quadrangular final para decidir o título da Copa Brasil e duas vagas na Libertadores. Embora não o tenha divulgado, Nabi chama a atenção para o fato de o regulamento da competição trazer, em seu artigo 1º, a afirmação de que o torneio é organizado conjuntamente pela CBF e pelas federações estaduais.

 

21/08/1987. O vice-presidente da Federação Paulista, Eduardo José Farah, obtém do STJD liminar que desobriga a CBF de convocar a assembleia geral.

 

 

23/08/1987. Em São Paulo, os presidentes do São Paulo, Flamengo e Palmeiras reuniram-se com representantes das federações do Piauí, Santa Catarina, Goiás e Paraná, com quem discutiram o impasse em torno do Campeonato Brasileiro e a intenção dos treze de “desligar-se da CBF”. Após o encontro, o presidente da federação paranaense, Onaireves Moura, afirmou que “ficou decidido que não haverá Copa Brasil este ano, se a CBF não atender às propostas do Clube dos Treze”. Guarani e América (RJ) ajuizaram ações na Justiça comum pedindo ser integrados ao Módulo Verde por liminar.

 

25/08/1987. O Clube dos Treze apresenta oficialmente à CBF pedido de autorização para a realização da Copa União.  A CBF inicia consultas às federações do Rio, São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul e Bahia sobre a conveniência de “oficializar” a Copa União, isto é, de o torneio ser realizado sob a autoridade dessas mesmas federações. O juiz titular da 9ª Vara Cível do Rio, dr. Luís Fux, dá à CBF prazo de 72 horas para explicar a exclusão do América do Módulo Verde.

 

26/08/1987. Independentemente da consulta de Octávio às federações estaduais, Nabi afirma que o Campeonato Brasileiro começará no dia 5 de setembro.

 

27/08/1987. A Caixa Econômica Federal anuncia que só transferirá recursos da Loteria Esportiva aos clubes que participarem da Copa Brasil, organizada pela CBF. Aidar afirma que os integrantes do Clube dos Treze abrem mão do subsídio.

 

28/08/1987. A diretoria da CBF anuncia que aprovou um regulamento para a Copa Brasil, mas não o divulga. Corre, no entanto, a notícia de que, nos termos do regulamento, “os clubes dos módulos Verde e Amarelo se enfrentarão na fase final”. Aidar reitera que os treze não participarão da Copa Brasil e que seu clube, o São Paulo, não enfrentará o Atlético no dia 5 de setembro, como previa a tabela da CBF. Realiza-se, em Porto Alegre, o primeiro Congresso de Torcidas Organizadas dos Grandes Clubes do Futebol Brasileiro. Participantes manifestam “apoio total e irrestrito” à realização da Copa União.

 

29/08/1987. Nabi promete para a segunda-feira, 31 de agosto, a divulgação do regulamento da Copa Brasil e assegura que os clubes que participarem da Copa União sofrerão “severas punições”.

 

30/08/1987. Em resposta a Aidar e aos descontentes do Módulo Amarelo, Nabi ameaça que “a CBF vai punir quem não for a campo” no dia 5 de setembro. O Clube dos Treze volta a contemplar a possibilidade de ajuizar ações para garantir a realização da Copa União. Manoel Tubino responsabiliza as federações estaduais pela crise, uma vez que foram elas que contestaram, em juízo, a resolução do CND que estabelecia o conselho arbitral da CBF. Aidar recorda que a participação dos clubes no Campeonato Brasileiro se dá por convite e afirma que o fato de Nabi não os formular explicitamente demonstra “a posição frágil em que se encontra”. Aidar acrescenta que, no dia seguinte, os integrantes do Clube dos Treze deveriam “declinar individualmente de seus convites”. “Já está decidido que não vamos participar e não há mais o que cogitar nesse sentido.”

 

31/08/1987. O Clube dos Treze notifica oficialmente a CBF de que seus integrantes “não aceitam o convite para participar” da Copa Brasil e pede a homologação da Copa União. Octávio e Nabi reiteram as ameaças já formuladas, e Nabi acrescenta que “o clube que recusar o convite ficará dois anos sem participar [do Campeonato Brasileiro]”. Para Nabi, “não adianta que não será realizado nenhum campeonato paralelo”.

 

01/09/1987. Octávio informa que as federações do Rio, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia não aceitaram endossar a realização da Copa União. A CBF proíbe a realização de “amistosos interestaduais” a partir do dia seguinte e determina que os 328 juízes integrantes do quadro nacional somente poderão apitar jogos com autorização expressa da Comissão Brasileira de Arbitragem de Futebol (COBRAF). Aidar afirma que a Copa União “é irreversível” e que, no máximo, aceita negociar a inclusão de mais três equipes (perfazendo dezesseis) e a disputa pelas vagas para a Libertadores de 1988, “mas o campeão brasileiro sai do nosso módulo”. Quanto à arbitragem, esclarece que os jogos serão dirigidos por árbitros jubilados (acima de 50 anos) “ou dissidentes”.

 

02/09/1987. Eduardo Viana e Eurico Miranda costuram uma proposta de acordo: a Copa União seria realizada, com o acréscimo de mais três clubes (Coritiba, Goiás e Santa Cruz) e com o “patrocínio” institucional da CBF. Os módulos Verde e Amarelo continuariam a existir, e ao final haveria um cruzamento entre os dois primeiros de cada módulo com o objetivo estrito de determinar os dois participantes brasileiros na Taça Libertadores de 1988 (e não o campeão brasileiro de 1987, que seria o vencedor do Módulo Verde). Além da federação do Rio, as federações de Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte e Ceará acenam a aceitação da proposta. O Clube dos Treze estabelece prazo até o dia seguinte para que a CBF se posicione a respeito e, diante da perspectiva de um acordo, adia a divulgação da tabela definitiva da Copa União. Dirigentes das federações do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia acordam reunir-se no dia seguinte para adotar posição unitária com relação à proposta da FERJ. Nabi afirma que “não há hipótese de mudança: a lei está do nosso lado”. Presidentes das federações do Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas, Espírito Santo e Mato Grosso manifestam apoio à posição de Nabi. Todos os integrantes do Módulo Amarelo, mais Coritiba, Goiás e Santa Cruz, aceitam a tabela anunciada por Nabi. No Rio, o secretário estadual de Esporte e Lazer, Léo Simões, anuncia que o Maracanã poderá abrigar partidas da Copa União.

 

03/09/1987. Eduardo Viana e os presidentes das federações de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia anunciam uma fórmula de conciliação, a ser referendada pela CBF e pelos clubes participantes. Haveria quatro módulos e quatro campeões brasileiros distintos (i.e., o vencedor de cada módulo). Tal como antecipado na véspera, haveria um quadrangular entre os dois primeiros dos módulos Verde e Amarelo, mas apenas para definir os participantes na Libertadores. Legalmente, as federações do Rio, São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul e Bahia seriam as responsáveis pela organização da Copa União. José Maria Marin, da Federação Paulista, afirma que as entidades teriam “todas as condições” de realizar o torneio, ainda que a CBF não o autorizasse. A CBF, no entanto, aceita a proposta, e Octávio foi categórico ao afirmar a existência de um “acordo” com o Clube dos Treze. Octávio anuncia, de resto, o cancelamento dos jogos agendados para o fim de semana seguinte e o adiamento em uma semana do início das competições nacionais. Marcio Braga e Benito Masci (Cruzeiro) exigem completa autonomia do Clube dos Treze para administrar a Copa União. O TFR agenda para 11 de setembro o julgamento de agravo de instrumento da União Federal (CND) contra a liminar que suspendera as resoluções nº 16/86, 17/86 e 18/86.

 

04/09/1987. O Clube dos Treze divulga a tabela da Copa União, com início marcado para 13 de setembro, e encarrega Eduardo Viana de fazê-la chegar à CBF. Octávio Pinto Guimarães disse estar “satisfeito” com o desfecho. O Clube dos Treze assina com a Rede Globo contrato de US$ 3,4 milhões para a transmissão dos jogos da Copa União. Nabi manifesta reservas à transmissão das partidas, por entender que pode prejudicar a afluência do público aos jogos dos demais módulos. Aidar anuncia que não haveria promoção e rebaixamento ao término do campeonato de 1987, mas sim a partir de 1988 (“sobem dois e descem dois”). América e Bangu ameaçam desistir da disputa do Módulo Amarelo. O vice-presidente do Sport, Luciano Bivar, contrariamente ao acordado entre o Clube dos Treze e a CBF, defende que o cruzamento defina o Campeão Brasileiro de 1987, e afirma que, sem essa condição, os integrantes do Módulo Amarelo não aceitarão disputá-lo. Bivar informou que os dezesseis clubes em questão deverão reunir-se no dia 8 de setembro, na sede do América do Rio, para formalizar sua posição. O vice-presidente do Guarani, José Carlos Hernandes, estima que seu clube foi “traído” pela CBF e classifica de “balela” o arranjo alcançado, uma vez que o campeão brasileiro, a seu juízo, seria o clube vencedor do Módulo Verde.

 

05/09/1987. Transcorre a data originalmente anunciada por Nabi sem que tenha início o campeonato, graças ao acordo de 3 de setembro. O Clube dos Treze conclui a elaboração da tabela e do regulamento definitivos da Copa União e encarrega Eduardo Viana de submetê-los à CBF para homologação. Eduardo Viana afirma que está “encerrada” a crise entre o Clube dos Treze e a CBF, restando definir apenas uma questão: se o cruzamento para determinar os representantes brasileiros na Libertadores se faria em fins de 1987 ou em princípios de 1988. Nabi vem a público afirmar que o contrato de transmissão assinado entre o Clube dos Treze e a rede Globo “não pode prejudicar os clubes que integram os outros módulos” e destaca a cláusula nº 4 do comunicado firmado pelas federações do Rio, São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul e Bahia, que daria à CBF o poder de confirmar ou não o televisionamento das partidas. O vice-presidente do Sport, Luciano Bivar, afima que os clubes do Módulo Amarelo também buscariam transmitir seus jogos, “em redes menores”, e que seu clube buscará impedir o televisionamento das partidas da Copa União para Pernambuco, caso coincidissem com jogos do Sport.

 

07/09/1987. Eduardo Viana submete à CBF a tabela e o regulamento da Copa União. O América ameaça ajuizar ação na Justiça comum para impedir a realização do campeonato.

 

08/09/1987. Eurico Miranda e Eduardo Viana reúnem-se com os clubes do Módulo Amarelo e anunciam ter alcançado com eles um “acordo definitivo” que permitiria o início da Copa União. A principal exigência contemplada foi o estabelecimento de promoção e rebaixamento já ao término do campeonato de 1987. Em 1988, o torneio principal passaria a contar com 20 clubes: os doze primeiros da Copa União de 1987, os seis primeiros do Módulo Amarelo e os dois vencedores de uma disputa entre o 13° e o 14° da Copa União mais o sétimo e o oitavo colocados no módulo amarelo. No mesmo ano, a segunda divisão teria 24 participantes. A fórmula acordada continua a prever um quadrangular nos moldes já aventados, mas apenas para definir os participantes brasileiros na Libertadores de 1988. Eurico Miranda teria concordado apenas em antecipá-lo de princípios de 1988 para fins de 1987. De resto, o Clube dos Treze ratifica a decisão de abrir mão, em benefício dos demais clubes, das verbas da Loteria Esportiva; assume o compromisso de repassar 10% das quotas de televisão para os clubes do Módulo Amarelo; e dá a estes carta branca para negociar seus próprios contratos de televisionamento. Segundo Octávio, “já temos um acordo completo”. O América é o único a discordar, por exigir um campeonato com 32 clubes em 1987.

 

09/09/1987. Clubes do Módulo Amarelo começam a romper o acordo: exigem que, do quadrangular, saia o campeão brasileiro. O presidente do Vitória acusa Eurico Miranda de ter mentido ao anunciar os termos do acordo, no dia anterior, mas Castor de Andrade, do Bangu, admite que foram clubes do Módulo Amarelo que romperam o acordo costurado por Eurico Miranda e Eduardo Viana. Diante da polêmica, a CBF decide postergar qualquer definição sobre o regulamento da competição.

 

10/09/1987. Realiza-se, em São Paulo, coquetel de lançamento da Copa União. Octávio confirma para o dia seguinte, 11 de setembro, o início da Copa União. O Clube dos Treze anuncia acordo com a Varig para o transporte das delegações, bem como a prorrogação do contrato com a Globo por mais quatro anos, num valor total de US$ 18,5 milhões. Nabi torna a adiar a divulgação do regulamento, por alegar serem ainda necessários “ajustes” quanto ao televisionamento dos jogos. O Guarani impetra mandado de segurança pedindo a sua imediata incorporação ao Módulo Verde. Diante do rompimento do acordo costurado por Eurico Miranda e Eduardo Vianna, o Clube dos Treze também volta atrás e afirma que, em princípio, não haverá promoção nem rebaixamento para a Copa União de 1988. Carlos Miguel Aidar afirma que seria “difícil” até mesmo a antecipação do quadrangular “que apontará os representantes do Brasil na taça Libertadores da América”, uma vez que “não há datas”. O Guarani recorre ao TFR para participar do Módulo Verde.

 

11/09/1987. Palmeiras e Cruzeiro inauguram a Copa União, no Pacaembu. Meia hora depois de iniciado o jogo, a CBF torna público o regulamento do Campeonato Brasileiro de 1987. O regulamento prevê a realização de quadrangular, ainda em 1987, entre o campeão e o vice do Módulo Verde, mais o campeão e o vice do Módulo Amarelo, para definir o campeão e o vice-campeão brasileiros de 1987 (que seriam, de resto, os representantes brasileiros na Libertadores de 1988). Em Brasília, o TFR cassa a liminar que suspendia a vigência das resoluções do CND de n° 16/86, 17/86 e 18/86. Com base nas resoluções, o Guarani pede à CBF a imediata suspensão do campeonato, até que se reúna o conselho arbitral estabelecido na normativa. Na mesma linha manifestou-se o vice-presidente da federação paulista, José Eduardo Farah, para quem se impunha a convocação do conselho arbitral para “rediscutir” o Campeonato Brasileiro. À noite, o Sport e o Náutico obtiveram, na Justiça comum pernambucana, liminar que impedia a realização de partidas do Módulo Amarelo enquanto não se conhecesse o regulamento da competição.

 

12/09/1987. Ato público na Praça da Independência, no Recife, e encontro de presidentes de federações do Norte e do Nordeste desnudam o estado de rebelião dos clubes da região. O presidente da Federação Pernambucana, Fred de Oliveira, afirma que Sport e Náutico não participarão do campeonato e que sua atitude está respaldada em ato da federação, que os proíbe de participar. “Só jogamos diante de uma garantia da CBF. Não vamos participar de uma competição sem conhecer seu regulamento.” Em reunião realizada na sede do América do Rio, diversos clubes assumem o compromisso de não entrar em campo no dia seguinte.

 

13/09/1987. Na rodada inaugural do Módulo Amarelo, realizam-se apenas quatro das oito partidas previstas na tabela, uma vez que Náutico, Vitória, Sport, Portuguesa, Atlético (GO) e América não compareceram aos seus jogos. Em Limeira, o árbitro escalado para dirigir Internacional (SP) x Náutico, o sr. Wilson Carlos dos Santos, explicou que dava o jogo por encerrado com base no regulamento do Campeonato de 1986, tendo em vista que o regulamento de 1987 não era conhecido.

 

14/09/1987. A imprensa filtra detalhes do regulamento outorgado pela CBF. Ao longo dos próximos dias, descobre-se que o documento desvirtuou o sentido do quadrangular e que tornava inválidos os contratos comerciais firmados sem a homologação da CBF. Octávio ameaça desligar do campeonato os clubes do Módulo Amarelo que insistirem em não jogar. A despeito disso, o presidente do América, Álvaro Grego, insiste em que seu clube não jogará contra o Rio Branco, no dia seguinte. O presidente da Federação Paulista, José Maria Marin, explicou que não tomou qualquer medida contra a transmissão televisiva da Copa União porque até ali não havia recebido o regulamento do Campeonato Brasileiro, o que deveria ocorrer no dia 16 de setembro.

 

15/09/1987. Marcio Braga convoca reunião do Clube dos Treze para a semana seguinte, em Belo Horizonte, para tomar posição conjunta contra o regulamento imposto pela CBF. Carlos Miguel Aidar afirma que, com o restabelecimento das resoluções do CND, “o conselho arbitral dos clubes […] é responsável pela condução da Copa Brasil deste ano, organizando as tabelas como também regulamentos e esquema de disputa, acesso e descenso. […] O importante é ficar claro que a CBF não tem mais poder de mando nas coisas da Copa Brasil.” O STJD denega liminar requerida pelo América, Portuguesa, Sport, Atlético (GO), Vitória e Náutico, que solicitavam a interrupção do campeonato por entender que o regulamento deveria ser aprovado pelos clubes em conselho arbitral. América, Atlético (GO) e Portuguesa impetram mandando de garantia no STJD requerendo a interrupção do campeonato e a imediata convocação do conselho arbitral. O presidente da Portuguesa, Osvaldo Teixeira Duarte, insiste em que “o campeonato está zerado”, na medida em que “só o conselho arbitral detém o poder para estabelecer a forma como será disputado o Campeonato Brasileiro”. O América não comparece ao jogo marcado contra o Rio Branco, em Vitória.

 

16/09/1987. Octávio ameaça renunciar à presidência da CBF, pelos desentendimentos freqüentes com Nabi. Castor de Andrade afirma que o Bangu continuará a participar do campeonato, respeitando o regulamento imposto pela CBF. Álvaro Grego notifica, oficialmente, a CBF da decisão do América de não participar do campeonato, caso seja mantida a fórmula adotada. Octávio, Nabi e os presidentes das federações de São Paulo, Goiás, Amazonas, Piauí e Maranhão reúnem-se para tratar do horário de transmissão das partidas da Copa União. A Rede Globo descarta que as transmissões se façam às 18h00 de domingo.

 

17/09/1987. A Justiça Federal do Paraná determina à CBF que convoque a assembleia geral em que se analisaria o pedido de impeachment de Octávio e Nabi. Federações de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Goiás recebem oficialmente o regulamento do campeonato. Manoel Tubino faz menção de convocar o conselho arbitral no dia seguinte.

 

18/09/1987. O plenário do CND derruba proposta de Tubino de determinar à CBF que convoque imediatamente o conselho arbitral, mas apenas porque entendia que a entidade não dera mostras de que pretendesse descumprir a decisão judicial de 11 de setembro. Tubino decide adiar a convocação do conselho arbitral até que a decisão do TFR seja publicada no Diário da Justiça. O advogado da Portuguesa, dr. Wilson dos Santos, afirma que os clubes rebeldes não jogarão até que o regulamento seja homologado pelo CND. Octávio recusa-se a receber notificação da decisão da Justiça Federal do Paraná. As federações de São Paulo e do Rio Grande do Sul aderem à causa do impeachment. Ricardo Teixeira afirma que “aceita o desafio” de presidir a CBF, diante do “momento muito difícil” por que passa o futebol brasileiro.

 

19/09/1987. Nabi determina que os jogos de domingo da Copa União comecem às dezoito horas, e não às dezessete, conforme acordado entre o Clube dos Treze e a Rede Globo, de modo a não prejudicar o afluxo do público às partidas dos demais módulos. Diante disso, Marcio Braga volta a propor o rompimento do Clube dos Treze com a CBF, enumerando entre as suas queixas o tema do cruzamento e a pretensão da CBF de homologar os contratos comerciais do Clube dos Treze.

 

20/09/1987. Em desafio aberto à determinação da CBF, Flamengo x Vasco e Bahia x São Paulo começam às dezessete horas. Santa Cruz x Coritiba, Grêmio x Cruzeiro e Palmeiras x Santos começam às dezoito horas. Nesse contexto, ganha corpo a ideia de um rompimento definitivo do Clube dos Treze com a CBF. Marcio Braga propõe que a Copa União seja rebatizada como “torneio extra-oficial da Copa União”.

 

21/09/1987. Reunido em Belo Horizonte, o Clube dos Treze ameaça romper com a CBF caso ela não aceite a tabela e o regulamento da Copa União tais como elaborados pelo próprio Clube dos Treze. As exigências do Clube dos Treze também abarcam temas como os descontos efetuados nas rendas das partidas, em benefício da CBF e federações, e outros relacionados a contratos de marketing. A CBF obtém liminar que lhe permite não convocar sua assembleia geral. José Maria Marin anuncia o “rompimento” da Federação Paulista com a CBF, por considerar “grave a situação por que atravessa […] o futebol brasileiro, em virtude da quebra do princípio da hierarquia desportiva, [desrespeito] à autoridade e violação das normas legais”. A COBRAF decide afastar de seu quadro de árbitros os juízes de Flamengo x Vasco, Aloísio Felisberto da Silva, e de Bahia x São Paulo, Arnaldo César Coelho.

 

22/09/1987. A CBF aceita as reivindicações do Clube dos Treze, e a Copa União pode prosseguir nos moldes em que foi idealizada. A CBF comprometeu-se a convocar o conselho arbitral de clubes “assim que a Justiça o permitir” (isto é, tão logo seja publicada a decisão judicial de 11/09/1987). Outras demandas do Clube dos Treze atendidas pela CBF foram o fim do repasse às federações de 5% da renda dos jogos, o fim da taxa de Cz$ 2,00 por ingresso (usados pela CBF para promover “torneios de incentivo”) e a extinção de punições aos árbitros Aloísio Felisberto da Silva e Arnaldo César Coelho.

 

23/09/1987. A Justiça Federal de São Paulo indefere pedido da Portuguesa de Desportos, apoiado por outros clubes do Módulo Amarelo, para paralisar o Campeonato Brasileiro.

 

24/09/1987. Representantes de 21 federações reúnem-se em São Paulo e decidem recorrer ao ministro da Educação e à FIFA para garantir a realização da assembleia geral da CBF. Insistem em pedir o impeachment de Octávio e Nabi, identificando no acordo com o Clube dos Treze uma das causas da revolta (segundo o manifesto divulgado, a CBF “dividiu o comando” do futebol com o Clube dos Treze). Na reunião, cogita-se publicamente do nome de Ricardo Teixeira como presidente da CBF (outro nome citado é o de José Maria Marin).

 

28/09/1987. O Clube dos Treze manifesta-se pela pronta instalação do conselho arbitral e contra o cruzamento entre os módulos Verde e Amarelo para decidir o campeão brasileiro. Federações pedem à FIFA que intervenha para que se dê a convocação da assembleia geral da CBF. Ricardo Teixeira lança sua candidatura à sucessão na CBF e apoia o pedido de impeachment de Octávio e Nabi.

 

30/09/1987. A CBF promete para a semana seguinte o início da disputa dos módulos Azul e Branco. Diversos clubes ameaçaram não participar. O Americano de Campos prometeu organizar um “Campeonato Brasileiro do Interior”, com Goytacaz, Tupi (de Juiz de Fora, MG), Estrela do Norte (de Cachoeiro do Itapemirim, ES), América (MG), Volta Redonda e Cabofriense. Vasco e Confiança, do Sergipe, anunciam que não participarão dos campeonatos da CBF. O presidente do América (RJ), Álvaro Grego, confirma que o clube não disputará o Campeonato Brasileiro, por considerar um “desprestígio” integrar “a segunda divisão”.

 

01/10/1987. Nabi anuncia que o quadrangular final da Copa Brasil será realizado no início de 1988.

 

02/10/1987. Ricardo Teixeira anuncia sua candidatura à presidência da CBF, no pleito de janeiro de 1989. Aidar defende a criação de uma nova federação nacional de clubes de futebol, desvinculada da CBF, com base no art. 245 do projeto de Constituição em análise. Também defende a criação de uma “Copa do Brasil”, com 200 clubes, que indicaria os participantes dos módulos Azul e Branco do Campeonato Brasileiro. José Maria Marin especula sobre a possível demissão de Manoel Tubino, após o ministro da Educação, Jorge Bornhausen, demitir-se do cargo.

 

07/10/1987. A CBF divulga os jogos da primeira rodada dos módulos Azul e Branco.

 

09/10/1987. O Clube dos Treze anuncia a assinatura de contrato de patrocínio com a Coca-Cola, no valor de US$ 17,5 milhões e de duração de cinco anos. Eurico Miranda defende a realização da Copa União de 1988 com vinte clubes, incluindo quatro integrantes do Módulo Amarelo. A proposta encontra resistência de Aidar, que defende a realização do segundo torneio com os mesmos dezesseis clubes de 1987.

 

11/10/1987. A logomarca da Coca-Cola aparece, pela primeira vez, estampada no círculo do meio de campo, em alguns jogos da Copa União. No Módulo Amarelo, o Sport vence a Internacional de Limeira por 4 a 0, diante de apenas 6.446 pagantes, e classifica-se para as finais do torneio, como vencedor do grupo B, no primeiro turno.

 

14/10/1987. A FIFA determina à CBF que interrompa imediatamente a inscrição de mensagens publicitárias dentro do recinto de jogo, sob pena de “advertência, suspensão, multa e eliminação [da CBF]”. O TFR restabelece a liminar concedida pela Justiça Federal do Paraná, concedendo à CBF prazo de 48 horas para convocar sua assembleia geral. Octávio afirma que só o fará depois de esgotados todos os recursos. Em nome do Clube dos Treze, Aidar manifesta preocupação: “Com o impeachment, as federações elegerão Ricardo Teixeira para o lugar de Octávio. Isso não agrada ao Clube dos Treze, porque ele está do lado das federações, que são o grande mal do futebol brasileiro.”

 

15/10/1987. O mesmo TFR concede nova liminar suspendendo a exigência da convocação da assembleia geral da CBF.

 

16/10/1987. Ao defender a viabilização de candidatura alternativa à presidência da Federação Paulista, Aidar defende ampla reformulação do futebol brasileiro. Sustenta que os grandes clubes deveriam ser eximidos da obrigação de disputar os estaduais (que basicamente serviriam como classificatórios para as divisões inferiores do Campeonato Brasileiro e para a Copa do Brasil). Defende, ainda, que o Campeonato Brasileiro se estenda de maio a dezembro, com quatro divisões. Aidar não chega a lançar-se candidato, mas seu projeto conta com o apoio dos quatro grandes, Juventus “e alguns clubes do interior”.

 

18/10/1987. O Atlético Mineiro derrota o Fluminense por 3 a 1, no Mineirão, e classifica-se para o quadrangular final da Copa União. A derrota do Fluminense classificou também o Internacional, vencedor do grupo A que, no entanto, perdeu para o Corinthians por 1 a 0.

 

19/10/1987. O Clube dos Treze reúne-se em Belo Horizonte e pede a imediata convocação do conselho arbitral da CBF. Pretende que o campeonato de 1988 realize-se no primeiro semestre, com duração de seis meses. O Governador de Minas Gerais, Newton Cardoso, participa da reunião e compromete-se a levar os pleitos da entidade ao Presidente José Sarney. A FIFA pede explicações à CBF por não ter atendido ao pedido da Federação Paulista de convocação da assembleia geral.

 

21/10/1987. O Atlético Paranaense sagra-se vencedor do grupo A do Módulo Amarelo ao bater o Guarani por 2 a 0 em Campinas, num jogo-desempate. É o segundo clube classificado para o quadrangular final.

 

29/10/1987. Publicado acórdão da 1ª Turma do Tribunal Federal de Recursos que cassa a liminar concedida pela 6ª Vara Federal de São Paulo, restabelecendo a vigência das resoluções do CND de nº 16/86, 17/86 e 18/86. Orientadas por João Havelange, as federações estaduais desistem das ações contra a CBF na Justiça comum. Havelange ameaça “medida severa” caso a CBF não coíba a publicidade no campo de jogo.

 

01/11/1987. O presidente do Bahia, Paulo Maracajá, defende a destituição de Octávio e Nabi (“deviam ser jogados na privada e, depois, bastaria apertar a descarga”) e afirma que o conselho arbitral deverá reunir-se “em quinze ou vinte dias”.

 

03/11/1987. Aidar afirma que “a solução” para o futebol brasileiro virá com a criação de uma nova Federação Brasileira de Futebol Profissional. Em Brasília, 180 deputados e 29 senadores ligados às federações estaduais protocolam pedido de CPI “para investigar a atuação da [CBF]”. O movimento é liderado pelo deputado Francisco Amaral (PMDB de São Paulo).

 

06/11/1987. O CND arquiva o processo pelo qual 22 federações solicitavam a convocação de assembleia geral da CBF.

 

09/11/1987. Aidar esclarece que não será candidato a presidir a FPF, pois defende o fim das federações estaduais (que, no máximo, deveriam ser “meras prestadoras de serviços” aos clubes). Acrescenta que sua prioridade é garantir aos clubes o direito a voto na CBF.

 

10/11/1987. Marcio Braga reúne-se com o novo ministro da Educação, Hugo Napoleão, e pede a permanência de Manoel Tubino no CND.

 

17/11/1987. Os dirigentes de todos os membros do Clube dos Treze reúnem-se com Manoel Tubino, em Brasília, e pedem a sua intervenção para que o conselho arbitral seja convocado imediatamente. Também propõem a realização da segunda Copa União no primeiro semestre de 1988, de forma a poder incorporar outros quatro clubes. Tubino condiciona a segunda proposta à aprovação da CBF.

 

18/11/1987. Em resposta à ideia veiculada pelo Clube dos Treze no dia anterior, Nabi afirma que não mudará o calendário de 1988 e que os estaduais serão realizados no primeiro semestre. No mais, afirmou que os jogos do quadrangular final da Copa Brasil de 1987 seriam realizados a 24, 27 e 31 de janeiro, 3, 7 e 10 de fevereiro. Pelo Módulo Amarelo, o Guarani classificou-se para as semifinais ao empatar em 0 a 0 com a Internacional de Limeira.

 

19/11/1987. Juízo da 6ª Vara Federal de São Paulo abre vistas do processo sobre as resoluções do CND de nº 16/86, 17/86 e 18/86 do CND aos 587 clubes profissionais do Brasil, protelando indefinidamente a resolução do caso. Em consequência, Octávio Pinto Guimarães decide implementar parte das resoluções convocando, desde já, o conselho arbitral da CBF, com os 32 clubes mais bem classificados no Campeonato Brasileiro de 1986, mas apenas para discutir o campeonato de 1988.

 

20/11/1987. A CBF divulga oficialmente o calendário de competições de 1988, mantendo os estaduais no primeiro semestre, a pedido das federações. O Campeonato Brasileiro seria realizado a partir de setembro.

 

22/11/1987. O Flamengo bate o Santa Cruz por 3 a 1 e conquista a vaga para as semifinais, como segundo colocado do grupo A, no segundo turno. Pelo grupo B, o Cruzeiro classificou-se ao bater o Santos por 1 a 0, no Pacaembu. Pelo Módulo Amarelo, o Bangu também se classifica para as semifinais após empatar jogo desempate com o Vitória (1 x 1) e vencer nos pênaltis (4 x 3).

 

25/11/1987. Pelas semifinais do Módulo Amarelo, o Bangu bateu o Sport por 3 a 2, em Moça Bonita.

 

29/11/1987. O Flamengo derrota o Atlético por 1 a 0 no primeiro jogo das semifinais, no Maracanã. No Beira-Rio, Internacional e Cruzeiro empatam em 0 a 0. Pelo Módulo Amarelo, o Sport eliminou o Bangu, derrotando-o por 3 a 1, em jogo marcado pela violência da torcida e pelas agressões à comitiva banguense. Na outra semifinal, Atlético (PR) e Guarani empataram em 0 a 0 em Curitiba.

 

30/11/1987. Dirigentes do Bangu afirmam que o clube pleiteará em juízo os pontos do jogo contra o Sport devido aos incidentes que cercaram a partida.

 

01/12/1987. Em São Paulo, o candidato da situação, Eduardo José Farah, vence as eleições para a presidência da Federação Paulista de Futebol.

 

02/12/1987. O Flamengo classifica-se para a final da Copa União, ao derrotar o Atlético por 3 a 2 no Mineirão. No Módulo Amarelo, o Guarani classifica-se para a decisão após bater o Atlético (PR) por 1 a 0, já na prorrogação.

 

03/12/1987. O Internacional classifica-se para a decisão da Copa União ao bater o Cruzeiro por 1 a 0, na prorrogação.

 

04/12/1987. Na sede da CBF, termina sem acordo reunião que trataria da correta interpretação dos critérios de desempate previstos no regulamento do campeonato, depois que Marcio Braga foi agredido pelo presidente da Federação Gaúcha, Rubens Hoffmeister. O Bangu obtém liminar que suspende o primeiro jogo da decisão do módulo amarelo, entre Guarani e Sport. Eduardo Viana é reeleito para mandato de três anos na presidência da FERJ.

 

05/12/1987. Em reunião em Porto Alegre, Flamengo e Internacional chegam a acordo e alteram o regulamento da Copa União, no que respeita aos critérios de desempate da finalíssima: em caso de dois resultados iguais, e sem levar em consideração o saldo de gols, haveria prorrogação e, se necessário, disputa de pênaltis no segundo jogo da decisão. Ao fazê-lo, rejeitaram proposta apresentada pela CBF, que defendia como fórmula de desempate o saldo de gols e, persistindo a igualdade, um sorteio. Ao deixar a reunião, Marcio Braga tripudia: “A CBF não manda nada”. Os quatro clubes também emitiram nota afirmando que somente aceitariam o cruzamento com os dois finalistas do Módulo Amarelo após a convocação do conselho arbitral, e ainda assim apenas para o propósito de indicar os representantes brasileiros na Taça Libertadores de 1988. O STJD concedeu liminar ao Bangu, suspendendo até a quinta-feira seguinte, 10 de dezembro, o jogo previsto para 6 de dezembro entre Sport e Guarani, pelas finais do Módulo Amarelo. Além da suspensão da partida, o Bangu pleiteia os dois pontos do jogo em que foi derrotado pelo Sport por 3 x 1, pelas semifinais, pelas agressões sofridas por sua delegação e demais irregularidades registradas. O presidente do Sport acusou o árbitro da partida, José de Assis Aragão, de ter “articulado a confusão” juntamente com o Bangu, por não se ter eximido de relatar na súmula os fatos ocorridos. O presidente do Guarani, Leonel de Oliveira, afirmou que a suspensão do jogo era uma “manobra de bastidores para conturbar o Módulo Amarelo” e, com isso, inviabilizar a realização do cruzamento. Sport e Guarani decidiram, de todo o modo, que o jogo seria realizado mesmo em desobediência à ordem judicial e solicitaram à FPF a indicação de um árbitro para dirigir a partida. No final da noite, o Sport obteve uma segunda liminar, na Justiça comum do Rio, suspendendo a decisão do STJD, e permitindo a realização do jogo a 6 de dezembro.

 

 

06/12/1987. Internacional e Flamengo empatam em 1 a 1 no Beira-Rio, na primeira partida da decisão da Copa União. Em Campinas, o Guarani bateu o Sport por 2 a 0 na primeira partida da decisão do módulo amarelo. No Rio, Octávio Pinto Guimarães afirma que o campeão brasileiro somente será determinado após um cruzamento entre os quatro finalistas dos módulos Verde e Amarelo. Em Porto Alegre, dirigentes do Flamengo e do Internacional descartaram, uma vez mais, a hipótese do cruzamento, a menos que o conselho arbitral referendasse previamente a sua realização. Sport e Guarani publicam manifesto queixando-se de que, “por conveniências comerciais e, certamente, por propósitos subalternos, o Grupo dos 13 e as Organizações Globo massificaram a ideia de que o Módulo Verde, chamado Copa União, é o próprio Campeonato Brasileiro”.

 

07/12/1987. Marcio Braga volta a insistir em que o Flamengo só participará do cruzamento com o módulo amarelo caso o conselho arbitral da CBF se reúna previamente e adote essa determinação: “Sem o arbitral não há cruzamento. A CBF que decrete quem vai representar o Brasil na Libertadores.”

 

08/12/1987. A CBF homologa o acordo alcançado entre Flamengo e Internacional sobre os critérios de desempate e estende-o ao Módulo Amarelo. Pela RDI n° 08/87, estabelece que, em caso de os clubes finalistas dos dois módulos obterem o mesmo número de pontos nas duas partidas decisivas, e registrando-se empate na prorrogação, haverá disputa de pênaltis para determinar o vencedor. O presidente do Guarani, Leonel de Oliveira, afirma que seu clube lutará pela realização do cruzamento e pedirá a punição dos clubes que se recusarem a participar, além de indenização por eventuais prejuízos.

 

09/12/1987. O vice-presidente do Flamengo, Gilberto Carvalho Filho, afirma que, como a CBF se recusa a convocar o conselho arbitral, a Copa União de 1988 provavelmente se realizaria com os mesmos dezesseis clubes que a disputaram em 1987. Nabi Abi Chedid informa que só convocará o conselho arbitral após o término do campeonato (e, subentende-se, do cruzamento) e afirma que a CBF não reconhece a Copa União.

 

10/12/1987. Na porta da sede da CBF, no Rio, o presidente da Federação Pernambucana, Fred de Oliveira, é agredido pelo presidente e por seguranças do Bangu. Michel Assef, advogado do Bangu, declara que o Sport deveria ser eliminado do Campeonato Brasileiro por ter recorrido à Justiça comum para derrubar a liminar previamente obtida pelo Bangu, na Justiça desportiva.

 

11/12/1987. A Suderj põe 146 mil ingressos à venda para a decisão de domingo. José de Assis Aragão é escalado para apitar a partida.

 

13/12/1987. O Flamengo bate o Internacional por 1 a 0 e sagra-se campeão da Copa União. Após o jogo, o presidente do Internacional, Gilberto Medeiros, descarta que o clube busque aproveitar-se da hipótese de um cruzamento para conquistar o título brasileiro. No Recife, o Sport bate o Guarani por 3 a 0, e os dois times emparam na prorrogação por 0 a 0. Os dois clubes decidem dividir o título do Módulo Amarelo após o placar registrar 11 a 11 na cobrança de pênaltis.

 

14/12/1987. Nabi Abi Chedid reiterou a necessidade de “cumprir o regulamento do Campeonato Brasileiro até o fim”, com a realização da quarta fase, o cruzamento final. Descarta que, para isso, seja necessária a prévia realização de conselho arbitral, que a seu juízo se limitaria a discutir o campeonato de 1988. Nabi antecipa que os primeiros jogos do quadrangular serão marcados para 23 e 24 de janeiro, mas a definição dos participantes dependeria, ainda, do julgamento da ação do Bangu e da análise da súmula de Sport x Guarani. Sobre a decisão de Sport e Guarani de retirar seus times de campo, Nabi afirma que “não há nenhum campeão do Módulo Amarelo” e que a CBF “não tem poderes para proclamar quem leva o título”. Carlos Miguel Aidar afirma que “não há dúvida alguma de que o campeão brasileiro de 1987 é o Flamengo” e descarta a realização do cruzamento. Em Campinas, os dirigentes do Guarani afirmaram que a decisão de abandonar o campo esteve plenamente justificada, uma vez que, “diante de uma arbitragem incompetente e obscura, não restava outra saída”. A despeito disso, afirmam esperar que a CBF mantenha a “divisão” do título.

 

16/12/1987. Dirigentes do Clube dos Treze reúnem-se e ratificam a decisão de “não permitir” o cruzamento entre Flamengo e Internacional, Sport e Guarani. O CND determina que a CBF convoque o conselho arbitral dentro de trinta dias, com a participação dos 32 clubes dos módulos Verde e Amarelo, sob pena de sofrer intervenção. Nabi afirma que acatará a resolução tão logo dela seja notificado. O Bangu perde por cinco votos a zero no julgamento de sua ação contra o Sport: está mantido o resultado da semifinal, embora o Sport tenha sido multado pelos incidentes. O estádio da Ilha do Retiro é interditado até que o clube cumpra com uma série de exigências da CBF. O Bangu afirma que recorrerá ao STJD.

 

17/12/1987. Nabi divulga a tabela do primeiro turno do quadrangular final da Copa Brasil 1987, a iniciar-se em 24 de janeiro de 1988, com Flamengo x Guarani e Sport x Internacional.

 

18/12/1987. A CBF solicita ao CND permissão para que o Campeonato Brasileiro se estenda até 1988.

 

20/12/1987. Sem esperar o conselho arbitral, a CBF determina que o Campeonato Brasileiro de 1988 terá vinte clubes na primeira divisão: os dezesseis da Copa União mais os quatro primeiros do módulo amarelo.

 

28/12/1987. A CBF adia a decisão sobre o título do Módulo Amarelo, por não ter recebido a súmula do Tribunal Especial.

 

02/01/1988. O vice-presidente de Futebol do Flamengo, Ivan Drummond, reitera que o clube não participará do cruzamento e que, portanto, não entrará em campo contra o Guarani no dia 24 de janeiro, quando planeja disputar um amistoso para entrega das faixas de campeão brasileiro.

 

04/01/1988. A CBF apresenta ao CND pedido de adiamento da convocação do conselho arbitral, argumentando que “o Campeonato Brasileiro de 1987 ainda não terminou” e que, portanto, a reunião deveria realizar-se apenas após o quadrangular final.

 

06/01/1988. Nabi ameaça punir os clubes que não participarem do quadrangular final com até um ano de suspensão.

 

07/01/1988. O CND denega o pedido da CBF de adiar o conselho arbitral, que deverá realizar-se até 19 de janeiro. Esclarece que os clubes participantes deliberarão por voto qualificado, conforme a classificação obtida no Campeonato Brasileiro de 1986, e que deverão “[conhecer] oficialmente do regulamento outorgado [pela CBF], ratificando e aprovando, ou não, […] as disposições regulamentares ainda sem execução”. Também deverão pronunciar-se sobre o pedido da CBF de prorrogação do campeonato para além do ano-calendário

 

08/01/1988. Após nova intimação do CND, Nabi afirma que publicará, a contragosto, o edital de convocação do conselho arbitral na semana seguinte.

 

13/01/1988. Nabi Abi Chedid convoca o conselho arbitral para 15 de janeiro, com a participação dos 32 clubes participantes dos dois módulos. O Sport ameaça buscar liminar que impeça a reunião, por discordar dos votos atribuídos a cada clube. Manoel Tubino considera viável os grandes clubes derrubarem a previsão do cruzamento no conselho.

 

14/01/1988. O Clube dos Treze reúne-se e concorda, por unanimidade, apoiar a pretensão do Flamengo de ser reconhecido desde já como o campeão brasileiro de 1987. O Flamengo afirma que poderia desistir de disputar a taça Libertadores de 1988. Diante disso, também por unanimidade, o Clube dos Treze apoia a realização de um triangular entre Internacional, Sport e Guarani apenas para indicar os dois representantes brasileiros à competição. Caso as suas decisões não fossem implementadas, os clubes ameaçavam realizar uma nova edição da Copa União, em 1988, com os mesmos dezesseis participantes. Nabi afirma que o regulamento só pode ser alterado por unanimidade e que a CBF não indicará, ainda, os representantes brasileiros na Libertadores, “pois o Campeonato Brasileiro de 87 só terminará no dia 12 de fevereiro”. No Recife, o Juiz da 1ª Vara Federal de Pernambuco, dr. Genival Matias de Oliveira, concede liminar ao Sport determinando à CBF que “se abstenha […] de acatar qualquer decisão de seu conselho arbitral que implique em alteração do regulamento sobre o Campeonato Brasileiro de Futebol Profissional, edição 1987, ressalvada hipótese de unanimidade”.

 

15/01/1988. O conselho arbitral da CBF decide, por 375 votos contra 104, considerar o Campeonato Brasileiro de 1987 encerrado a 13 de dezembro, derrubando, portanto, a previsão de realização de um quadrangular final. Nabi Abi Chedid fez constar em ata que consultará o CND sobre se está autorizado a cumprir a decisão, na ausência de unanimidade.

 

20/01/1988. Amparado na liminar do juízo pernambucano, Nabi Abi Chedid marca para o domingo seguinte, 24, a rodada inaugural do quadrangular, com Flamengo x Guarani e Internacional x Sport. Flamengo e Internacional reiteram que não comparecerão. Nabi proíbe a realização do amistoso de entrega das faixas de campeão brasileiro, no mesmo dia 24, entre Flamengo e a seleção da Costa do Marfim, e ameaça os clubes que não participarem do cruzamento com a perda de pontos e até um ano de suspensão.

 

21/01/1988. A Suderj informa que o Maracanã não terá condições de receber a partida programada entre Flamengo e Guarani, devido ao mau estado do gramado. Diante disso, Nabi inverte o mando de campo da partida, mas mantém Internacional x Sport para o Beira-Rio. Marcio Braga reitera que o Flamengo jogará, na Gávea, contra a Costa do Marfim, e convida Nabi para a festa. O CND esclarece que a decisão do Flamengo está amparada pelo conselho arbitral, que não precisava de unanimidade para decidir a respeito.

 

22/01/1988. Nabi Abi Chedid declara o Sport campeão do Módulo Amarelo, com base no fato de que obtivera maior número de pontos na fase classificatória (e contrariando o disposto na RDI n° 08, de 8 de dezembro de 1987). A juíza da 7ª Vara Cível do Rio, dr.ª Lia Pantoja Milhomens, concede liminar ao Flamengo, desobrigando-o de comparecer à rodada inaugural do quadrangular, com base na decisão do conselho arbitral e no fato de a CBF não ter determinado quem eram o campeão e o vice do Módulo Amarelo. Mesmo intimado, Nabi mantém a rodada inaugural (com o jogo entre Internacional e Sport transferido para a Ilha do Retiro). Nabi ameaça notificar a FIFA caso Flamengo e Costa do Marfim descumpram a determinação de não jogar a partida amistosa.

 

24/01/1988. O Flamengo cumpre a promessa, não comparece ao Brinco de Ouro e disputa o amistoso contra a Costa do Marfim (venceu por 3 a 0, gols de Andrade, Jorginho e Flávio). Em Campinas, diante de apenas 18 torcedores, Renato Marsiglia determina a vitória do Guarani (que escalara um time praticamente de reservas) contra o Flamengo por W.O. No Recife, diante de 138 torcedores, Luís Carlos Félix também determinou a vitória do Sport contra o Internacional por W.O.

 

25/01/1988. O juiz da 5ª Vara Cível do Rio, dr. Ely Barbosa, concedeu liminar ao Sport, derrubando aquela obtida pelo Flamengo, sob o fundamento de que o juízo federal de Pernambuco era prevento. O Flamengo afirma que tornará a recorrer à Justiça. Nabi afirma que informará a FIFA do comportamento do Flamengo e do Internacional.

 

26/01/1988. João Havelange alertou que a CBF poderia ser punida com até dois anos de suspensão de competições internacionais caso não solucionasse as pendências relacionadas ao Campeonato Brasileiro, sobretudo a proliferação de medidas na Justiça comum. Nabi ameaça que, caso Flamengo e Internacional não compareçam à rodada do dia seguinte, marcará apenas os jogos entre Guarani e Sport e indicará, de uma vez, os dois clubes como representantes brasileiros na Libertadores. O Ministério Público Federal apresenta agravo de instrumento contra a liminar concedida pelo Juiz Federal da 1ª Vara de Pernambuco.

 

27/01/1988. Guarani e Sport vencem em casa, por W.O., respectivamente, o Internacional e o Flamengo.

 

29/01/1988. Assembleia geral da CBF, formada apenas pelas federações estaduais, apoia a realização do cruzamento. Também decide formar comissão para analisar irregularidades nas contas da entidade.

 

30/01/1988. Começam os campeonatos estaduais do Rio e de Minas, com o quadrangular da CBF ainda em curso.

 

31/01/1988. O Flamengo estreia no Campeonato Carioca, batendo o Vasco por 1 a 0. Em Campinas, pelo quadrangular, Guarani e Sport empatam em 1 a 1, diante de escassos 4.627 pagantes.

 

07/02/1988. O Sport bate o Guarani por 1 a 0, na Ilha do Retiro, e vence o quadrangular.

 

08/02/1988. Octávio Pinto Guimarães anuncia que esperará o desfecho das decisões judiciais em curso antes de homologar o título de campeão brasileiro e indicar os representantes brasileiros na Taça Libertadores da América.

 

10/02/1988. O Flamengo consulta oficialmente o CND sobre a vigência da resolução n° 16/81 da entidade, que estabelece que o calendário somente poderia ser prorrogado com autorização do próprio CND, e pergunta se essa autorização foi concedida à CBF. O Sport ajuíza ação contra a CBF e a União Federal requerendo seja a CBF condenada a declará-lo campeão brasileiro de 1987.

 

11/02/1988. Em resposta à consulta do Flamengo, o CND informa que a resolução n° 167/81 está em vigor, que não deu autorização para a prorrogação do calendário e que, portanto, o cruzamento realizado pela CBF foi ilegal. O Flamengo afirma que usará a decisão para provocar pronunciamento definitivo da Justiça desportiva sobre o Campeonato Brasileiro de 1987.

 

12/02/1988. Octávio Pinto Guimarães afirma que solicitará à FIFA que “puna com rigor” os clubes que ingressem na Justiça comum para solucionar causas desportivas.

 

18/02/1988. O Ministério Público Federal impetra mandado de segurança para obter efeito suspensivo do agravo de instrumento apresentado em 26 de janeiro.

 

22/02/1988. A pedido do CND, o TFR cassa liminar obtida pelo Sport, que lhe garantia o título de campeão brasileiro e a sua participação na Taça Libertadores.

 

03/03/1988. O Flamengo dirige ofício à CBF pedindo-lhe “proclamar e homologar o Clube de Regatas do Flamengo campeão brasileiro de 1987”, tendo em vista a decisão do conselho arbitral de dar o campeonato encerrado a 13 de dezembro de 1987, somado ao fato de ele, Flamengo, ter vencido o Módulo Verde, ao passo que não houve campeão do Módulo Amarelo.

 

30/03/1988. Termo final da inscrição dos representantes brasileiros na Libertadores. A CBF pede que conste, de forma provisória, a participação de equipes identificadas como “Brasil 1” e “Brasil 2”.

 

14/04/1988. A Federação Pernambucana pede oficialmente à CBF que inscreva o Sport na Taça Libertadores. A CBF informa que o caso está sub judice e que pretende decidir ainda naquela semana.

 

26/04/1988. O Clube dos Treze, reunido na sede do São Paulo, começa a discutir a realização da segunda edição da Copa União. Entidade pede à CBF que convoque o conselho arbitral para definir os participantes e a fórmula de disputa. O secretário-geral da FIFA, Joseph Blatter, reúne-se com Octávio Pinto Guimarães e manifesta-lhe o desagrado da entidade com a proliferação de medidas judiciais envolvendo o futebol brasileiro. A CBF obtém da Conmebol o adiamento da data final para a inscrição dos representantes brasileiros na Libertadores: 30 de maio.

 

27/04/1988. O TFR cassa nova liminar obtida pelo Sport, que determinava à CBF que o reconhecesse como campeão brasileiro. A questão é devolvida à Justiça Federal de Pernambuco, para pronunciamento sobre o mérito da causa.

 

30/04/1988. João Havelange ameaça com o desligamento da CBF da FIFA, caso não coíba a proliferação de ações na Justiça comum. Concretamente, a FIFA dá à CBF prazo até 19 de maio para apresentar relatório sobre as medidas tomadas para contra-arrestar a judicialização de questões atinentes ao Campeonato Brasileiro de 1987 e ao Campeonato Paulista de 1988.

 

02/05/1988. O Presidente José Sarney reconduz Manoel Tubino ao cargo de presidente do CND, para novo mandato de quatro anos. Entre suas prioridades, Tubino identifica a atualização da legislação esportiva brasileira, “da época do Estado Novo”.

 

03/05/1988. Aidar reúne-se com Octávio Pinto Guimarães, na sede da CBF, e solicita a convocação de novo conselho arbitral para discutir o campeonato de 1988 e a indicação de Flamengo e Internacional para a disputa da Libertadores.

 

17/05/1988. O Flamengo oficia à FIFA pedindo providências que impeçam a CBF de não homologar o seu título, diante das inúmeras violações do Sport à regra que impedia o recurso à Justiça comum. Em resposta à exigência de Blatter, a CBF decide que o Sport foi o campeão da Copa Brasil 1987. Entidade também presta contas de seus esforços para coibir ações na Justiça comum e promete solucionar até o fim de maio a questão da participação da Ponte Preta e do Bandeirante no Campeonato Paulista.

 

20/05/1988. O Clube dos Treze divulga manifesto de repúdio à decisão da CBF de declarar o Sport campeão brasileiro. A entidade afirma que secundará recurso do Flamengo e Internacional ao CND, uma vez que houve desrespeito à decisão do conselho arbitral. Também exige a convocação de novo conselho arbitral para a organização do Campeonato Brasileiro de 1988.

 

24/05/1988. A CBF homologa, por unanimidade, o Sport como o campeão brasileiro de 1987 e o Guarani como vice-campeão, inscrevendo-os na Taça Libertadores da América de 1988. Também envia circular a todas as federações reiterando a proibição de se dirimirem controvérsias desportivas na Justiça comum e ameaçando os clubes que a infringirem de “desligamento automático”. Marcio Braga ameaça instaurar CPI e pedir a intervenção na CBF.

 

02/06/1988. Flamengo e Internacional interpõem recurso ao STJD contra a decisão da CBF de homologar o título do Sport e de indicar Sport e Guarani para disputar a Taça Libertadores.

 

03/06/1988. O Clube dos Treze reúne-se e firma posição quanto à Copa União 1988: pretende que seja disputada por dezesseis clubes, mas aceita discutir um torneio de vinte. Apenas o Vasco não participou da reunião.

 

09/06/1988. O STJD, por quatro votos a três, acolhe o recurso do Flamengo, de 2 de junho: anula a decisão administrativa da CBF de 24 de maio, que declarara Sport e Guarani campeão e vice de 1987, fazendo valer a decisão do conselho arbitral de 15 de janeiro. Ao tomar conhecimento da medida, Octávio Pinto Guimarães afirmou que “nada resta a fazer, senão homologar” a decisão.

 

13/06/1988. O Sport interpõe embargos infringentes contra a decisão do STJD, pedindo a revisão da decisão de fundo, e solicita liminar com efeito suspensivo.

 

14/06/1988. O Guarani impetra mandado de garantia contra a decisão do STJD, por entender que não havia sido citado tempestivamente. Pede seja suspensa a decisão de 9 de junho e que seja assegurado ao Guarani e ao Sport ser inscritos na Taça Libertadores.

 

15/06/1988. O presidente do STJD, em atenção ao pedido do Guarani, concede uma liminar inédita, contra ato do próprio tribunal pleno, suspendendo a decisão de 9 de junho.

 

16/06/1988. O Flamengo recorre ao CND pedindo seja sustada a liminar concedida pelo presidente do STJD e que seja suspensa a reunião do plenário do tribunal marcada para o mesmo dia, para analisar o mandado de garantia do Guarani, por ter-se esgotado o prazo recursal. O presidente do CND acolhe os dois pedidos.

 

20/06/1988. No último dia do prazo de inscrição dos participantes na Taça Libertadores, a CBF ignora a decisão do STJD, torna a homologar Sport e Guarani como campeão e vice do campeonato de 1987 e inscreve-os no torneio continental. O Flamengo ameaça ajuizar ação de perdas e danos contra a CBF.

 

24/06/1988. O Clube dos Treze torna a reunir-se e emite novo documento em que afirma que Flamengo e Internacional são o campeão e o vice do Brasil em 1987. Dirigentes anunciam a criação de uma Federação Brasileira de Futebol Profissional, que suplantaria a CBF.

 

27/06/1988. Dirigentes dos 16 clubes que participaram da Copa União de 1987 reúnem-se com executivos da Rede Globo para iniciar negociações em torno da segunda edição do torneio. Tornam a pedir à CBF que convoque o conselho arbitral para decidir datas, fórmula de disputa e número de participantes da competição.

 

29/06/1988. Ricardo Teixeira lança oficialmente a sua candidatura à presidência da CBF, com o apoio declarado de 21 federações estaduais.

 

01/07/1988. O Flamengo obtém liminar na 33ª Vara Cível do Rio determinando à CBF que não realize a partida entre Sport e Guarani, no dia seguinte, pela Taça Libertadores. A CBF antecipa que não tomará qualquer medida, porque o torneio é organizado pela Confederação Sul-Americana.

 

02/07/1988. Sport e Guarani estreiam na Taça Libertadores, jogando entre si na Ilha do Retiro. O Guarani venceu por 1 a 0.

 

19/07/1988. Eurico Miranda reúne-se com Nabi Abi Chedid para receber a proposta da CBF quanto à organização da Copa União 1988.

 

20/07/1988. O Clube dos Treze torna a reunir-se e, por unanimidade, rechaça a proposta da CBF e da Federação do Rio de uma nova Copa União com 24 clubes. Pela noite, Nabi reúne-se com Carlos Miguel Aidar.

 

21/07/1988. Nabi Abi Chedid anuncia que o conselho arbitral deverá realizar-se na semana seguinte, com vistas à adoção do regulamento até 3 de agosto e início do campeonato até 3 de setembro. Eduardo Viana reúne-se com o próprio Nabi e firma posição por um campeonato com 24 clubes.

 

27/07/1988. Eduardo Viana reúne-se com Nabi Abi Chedid e continua a defender o campeonato com 24 clubes. Nabi dá mostras de simpatizar com a postura de Viana.

 

28/07/1988. A CBF convoca o conselho arbitral para 2 de agosto, com 20 clubes.

 

02/08/1988. Realiza-se o conselho arbitral, com vinte clubes (os dezesseis da Copa União de 1987 mais Sport, Guarani, Bangu e Atlético-PR). Decidem realizar campeonato entre os vinte, com fórmula semelhante à da Copa União de 1987. O campeonato começaria a 3 de setembro, e a maioria dos clubes defende estendê-lo até 14 de maio de 1989, com jogos apenas nos fins de semana, adaptando com isso o calendário brasileiro ao europeu. Nos dias subsequentes, América, Criciúma, Vitória e Portuguesa recorrerão da decisão ao CND.

 

04/08/1988. Após reunir-se com dirigentes de oito federações estaduais, Nabi Abi Chedid descarta a proposta de um campeonato de setembro a maio do ano seguinte, com jogos apenas nos fins de semana: afirma que o Campeonato Brasileiro deverá encerrar-se a 30 de novembro de 1988.

 

11/08/1988. A CBF divulga a primeira rodada da Copa União de 1988. João Havelange ameaça de desfiliação os clubes que cogitarem de organizar uma liga independente.

 

15/08/1988. Dirigentes do Clube dos Treze (mais Santa Cruz, Goiás e Coritiba) reúnem-se em Porto Alegre e rechaçam, por nove votos a sete, proposta da CBF de aumentar o número de participantes do campeonato para 24 clubes. Também decidem que insistirão na prorrogação do campeonato até maio de 1989, com jogos apenas aos fins de semana.

 

19/08/1988. Clube dos Treze, CBF e algumas federações estaduais costuram acordo que eleva o número de participantes do campeonato para 24 (ingressam América, Portuguesa, Atlético-PR e Criciúma), com a contrapartida de que o campeonato se estenda até maio de 1989. Haveria rebaixamento de quatro clubes e promoção de dois até alcançar-se o número de vinte participantes, em 1990. O CND homologou o acordo por meio de sua resolução de n° 11/88.

 

22/08/1988. Eurico Miranda rompe de vez o consenso no Clube dos Treze. Afirma que não aceitará que o campeonato se estenda até maio, para não prejudicar a realização dos estaduais e para não forçar o clube a renegociar contratos com jogadores no meio da competição. Marcio Braga e Carlos Miguel Aidar acusam Eurico de agir como preposto de Eduardo Viana. Viana ameaça convocar assembleia geral da CBF, caso o Campeonato Nacional prejudique a realização dos estaduais.

 

25/08/1988. Reúne-se a assembleia geral da CBF. Quinze federações defendem o campeonato com apenas 20 clubes. Apenas as federações do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná e Distrito Federal defendem o campeonato com 24 clubes. Há consenso em que o campeonato deveria terminar a 30 de novembro.

 

30/08/1988. Nabi Abi Chedid decide que o campeonato será disputado por 24 clubes, com a inclusão de América, Portuguesa, Criciúma e Vitória, e posterga a decisão quanto ao término da competição. Divulga apenas a tabela da primeira rodada.

 

02/09/1988. Somente às vinte horas, momentos antes do início da rodada inaugural, Nabi Abi Chedid divulgou, a conta-gotas, o novo regulamento. Salientou com entusiasmo a regra, até então desconhecida, segundo a qual, após eventuais empates, realizar-se-ia disputa de pênaltis. Na Fonte Nova, a Copa União de 1988 é inaugurada com rodada dupla: Bahia 1 x 1 Bangu (6 x 5 nos pênaltis) e Vitória 0 x 0 América (5 x 3 nos pênaltis).

 

06/09/1988. O Clube dos Treze reúne-se no Rio, com participação de Coritiba, Santa Cruz e Goiás, e decide aceitar o regulamento, mas pede que ele seja homologado em novo conselho arbitral.

 

20/10/1988. O Clube dos Treze reúne-se em São Paulo e insiste na criação de uma Federação Brasileira de Futebol Profissional, distinta da CBF, com amparo no art. 217 da nova Constituição.

 

11/11/1988. A CBF divulga a tabela do segundo turno da Copa União: a fase classificatória estende-se até 18 de dezembro, com cinco rodadas nos meios de semana. Marcio Braga e Carlos Miguel Aidar convocam reunião do Clube dos Treze “para dar início ao movimento de rejeição às rodadas intermediárias”.

 

16/11/1988. O Clube dos Treze decide, por maioria de votos, aceitar a tabela imposta pela CBF. A entidade também anuncia que iniciou “providências legais” com vistas à criação da Federação Brasileira de Futebol Profissional.

 

22/11/1988. Ricardo Teixeira, em evento público no Rio, considera-se já eleito presidente da CBF, contabilizando pelo menos 19 dos 26 votos. Afirma que a Copa União terminará até 28 de fevereiro, “nem que para isso a CBF proclame mais de um campeão ou realize jogos durante a semana”. Promete um campeonato com 20 clubes, em que o acesso e o descenso serão respeitados. E divulga a sua meta-síntese: a realização da Copa de 1998 no Brasil.

 

30/11/1988. Octávio Pinto Guimarães reaparece e lança a sua candidatura à reeleição como presidente da CBF.

 

20/12/1988. Rompendo com Octávio, a quem culpou por “todos os problemas no futebol brasileiro”, Nabi Abi Chedid lança a sua candidatura à presidência da CBF.

 

28/12/1988. Em Teresina, Ricardo Teixeira afirma que não reconhecerá o Clube dos Treze como interlocutor.

 

01/01/1989. Eurico Miranda admitiu publicamente, pela primeira vez, que será o diretor de futebol da CBF caso Ricardo Teixeira se eleja presidente. Prometeu “negociar com o Clube dos Treze, na medida do possível”.

 

03/01/1989. O presidente da Federação Gaúcha, Rubens Hoffmeister, tenta convencer Octávio e Nabi a desistirem de suas respectivas candidaturas para que haja consenso em torno de Ricardo Teixeira. Seu principal argumento: “as federações ficaram enfraquecidas diante da CBF com a criação do Clube dos Treze”, e “o único candidato que não reconhecerá o Clube dos Treze como entidade é Ricardo Teixeira”.

 

04/01/1989. Octávio Pinto Guimarães afirma que apoiará a candidatura de Ricardo Teixeira, mas esclarece que manterá a sua candidatura, para tirar votos de Nabi.

 

05/01/1989. Eduardo Viana registra oficialmente a candidatura de Ricardo Teixeira, com o apoio de 23 federações (só não assinaram a lista os presidentes das federações da Bahia, Alagoas e Rondônia). Viana fez questão de afirmar que a vitória de Teixeira representará “a derrota não só de Octávio Pinto Guimarães e Nabi Abi Chedid, mas também de Carlos Miguel Aidar, Marcio Braga e Manoel Tubino, os principais instauradores do caos no futebol brasileiro”.

 

06/01/1989. Convencido por Eduardo Viana, Nabi Abi Chedid desiste de sua candidatura e declara apoio a Ricardo Teixeira. Octávio Pinto Guimarães oficializa a sua candidatura, com Beto Zini, presidente do Guarani, de vice.

 

10/01/1989. Falando como futuro presidente da CBF, Ricardo Teixeira confirma Eurico Miranda como diretor de futebol, Paulo Angioni (também do Vasco) como supervisor e Ives Mendes como diretor da comissão de arbitragem.

 

16/01/1989. Ricardo Teixeira é eleito por aclamação presidente da CBF. Octávio Pinto Guimarães assume a presidência do Conselho Fiscal da entidade.

 

30/11/1989. Instado a prestar esclarecimentos no curso do processo movido pelo Sport contra a CBF, Ricardo Teixeira afirma que o processo “está, agora, sem objeto, pois, na oportunidade, o autor foi considerado campeão do Campeonato Brasileiro de 1987 […]”.

 

24/08/1990. No âmbito do processo movido pelo Sport contra a CBF, o Juiz Federal da 10ª Vara de Pernambuco manda intimar as partes para apresentar suas razões finais, no prazo de cinco dias.

 

17/09/1990. Vence o prazo para apresentarem-se as razões finais. O Flamengo não as apresenta.

 

19/07/1992. O Flamengo sagra-se pentacampeão brasileiro, ao empatar com o Botafogo em 2 a 2. É a última vez que a Taça das Bolinhas é entregue ao campeão brasileiro de futebol.

02/05/1994. O Juiz da 10ª Vara Federal de Pernambuco, dr. Élio Wanderley de Siqueira Filho, julga procedentes, em sua totalidade, as pretensões do Sport. Declara válido o regulamento outorgado pela CBF, na vigência de liminar que suspendia a aplicabilidade das resoluções do CND de nº 16/86, 17/86 e 18/86 do CND; afirma que era necessária a aprovação unânime dos membros do conselho arbitral para a modificação desse regulamento; determina à União Federal (CND) e à CBF que “se abstenham de […] acatar decisão do conselho arbitral tendente à modificação do […] regulamento”; e determina à CBF que “seja reconhecido o [Sport] como Campeão Brasileiro de Futebol Profissional do ano de 1987”. No mesmo dia, extingue o procedimento cautelar iniciado pelo Sport em janeiro de 1988, por perda de objeto.

 

11/06/1994. A sentença é publicada no Diário Oficial da União.

 

27/06/1994. Vence o prazo para o Flamengo interpor recurso de apelação. O Flamengo não recorre.

 

10/08/1994. A União recorre da sentença de 2 de maio, mas insurge-se apenas contra o dispositivo que a condena a pagar custas e honorários advocatícios.

 

24/04/1997. Por unanimidade, a 1ª Turma do Tribunal Federal da 5ª Região (Recife) nega provimento à apelação da União. O voto do juiz relator Abdias Patrício Oliveira limita-se a afirmar que o ato do CND que determinou a convocação do conselho arbitral demonstra que a União “interferiu na realização do referido campeonato”. Os demais membros da Turma — Paulo Roberto de Oliveira Lima e José Maria Lucena — não fundamentaram seus votos.

 

09/06/1997. Reunião do Clube dos Treze aprova o ingresso do Sport, Coritiba e Goiás na entidade. Também decide “levar ao Presidente da CBF o desejo, refletido em ofício, da vontade da unanimidade do Clube dos Treze de ver declarado pela Confederação a condição de dois campeões e dois vice-campeões naquele Campeonato Brasileiro de 1987, […] quais sejam: Esporte [sic], Flamengo, Guarani e Internacional”.

09/12/1997. O presidente do Clube dos Treze, dr. Fabio Koff, dirige ofício ao presidente da CBF com a “sugestão de que sejam reconhecidos o Clube de Regatas do Flamengo, vencedor do Módulo Verde, e o Sport Club Internacional, segundo colocado, também como campeão e vice-campeão brasileiro de 1987, fazendo companhia a Sport Club Recife e ao Guarani Futebol Clube, respectivamente, na conquista de tais títulos”.

 

15/08/1997. O Ministério Público Federal interpõe recurso especial contra a decisão em favor do Sport. Insiste na tese da ilegitimidade passiva da União e sustenta que, não tendo sido previamente aprovado na instância própria, o regulamento do campeonato de 1987 poderia, sim, ser submetido ao conselho arbitral em janeiro de 1988.

 

03/11/1997. O vice-presidente do TRF da 5ª Região, dr. José Maria Lucena, inadmite o recurso especial da União, por questões puramente de cabimento e de procedimento.

 

10/03/1999. O STJ nega provimento ao agravo de instrumento interposto pela União diante da decisão do tribunal recorrido, por entender que a matéria em exame, objeto de ato administrativo do CND, não é objeto de lei federal em sentido estrito, não cabendo, portanto, recurso especial. Oficiou de relator o ministro Waldemar Zveiter.

 

23/03/1999. Publicada no Diário da Justiça a decisão do STJ.

 

05/04/1999. Decurso do prazo legal, sem apresentação de recursos ulteriores. A decisão de fundo em favor do Sport transita em julgado.

 

31/10/2007. O São Paulo bate o América de Natal por 3 a 0 e conquista o seu quinto Campeonato Brasileiro.

 

12/04/2010. A CBF, amparada em parecer jurídico, comunica seu entendimento de que a Taça das Bolinhas deve ser entregue ao São Paulo.

 

16/04/2010. O Flamengo protocola, junto à CBF, pedido de reconsideração de sua decisão de não reconhecê-lo como campeão brasileiro de futebol de 1987.

 

10/12/2010. Ricardo Teixeira emite a Resolução da Presidência [da CBF] nº 03/2010, pela qual “ficam reconhecidos como campeões brasileiros os clubes que venceram a disputa da Taça Brasil de 1959 a 1968 e pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata entre 1967 e 1970”.

 

14/02/2011. O Flamengo ajuíza ação cautelar perante a Justiça estadual do Rio pedindo “que se determine à CBF e à […] Caixa Econômica Federal […] que se abstenham de entregar [a taça das bolinhas] ao São Paulo Futebol Clube”. A despeito disso, a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, que não fora intimada da decisão, faz entrega da taça ao presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, na sede da CEF na Avenida Paulista.

 

21/02/2011. Ricardo Teixeira resolve, por meio da Resolução da Presidência [da CBF] nº 02/2011, reconhecer o Flamengo e o Sport como “campeões brasileiros de futebol profissional de 1987”, e o Internacional e o Guarani como vice-campeões.

 

22/02/2011. O juiz substituto a cargo da 50ª vara cível do Rio, dr. Gustavo Quintanilha Telles de Menezes, diante de agravo da CBF, mantém a liminar em favor do Flamengo e determina a intimação do presidente do São Paulo para entregar a Taça de Bolinhas à CEF, no prazo de 24 horas, “devendo o troféu permanecer sob a guarda da [CEF] até o trânsito em julgado do processo principal”.

 

23/02/2011. O Sport requer o desarquivamento do processo que movera contra a CBF em 1988, após a decisão da CBF de considerar também o Flamengo campeão brasileiro de 1987.

 

25/02/2011. O Sport apresenta interpelação judicial contra Ricardo Teixeira, instando-o a declarar nula a RDP 02/2011, “sob pena de imputação da prática de ato ilícito no âmbito da responsabilidade administrativa, cível e criminal”. O São Paulo ajuíza ação cautelar pedindo a manutenção da posse da Taça das Bolinhas.

 

02/03/2011. A Justiça Federal de São Paulo concede liminar ao São Paulo para que mantenha a posse da Taça das Bolinhas, “até que haja alguma outra determinação, judicial ou não”. Em Brasília, a Ministra Maria Isabel Gallotti, do STJ, não acolhe reclamação do São Paulo contra a liminar de 14 de fevereiro, em favor do Flamengo, por entender que não estavam esgotadas as demais vias recursais.

 

05/05/2011. O Sport insurge-se contra a resolução da presidência da CBF de nº 02/2011: ajuíza ação de cumprimento de sentença condenatória, em que pede seja a CBF condenada a anular a resolução em apreço, sob pena de intervenção judicial.

 

26/05/2011. O desembargador federal Nelson dos Santos, ao analisar agravo de instrumento interposto pelo Flamengo no processo da Taça das Bolinhas, suspende os efeitos da liminar de 2 de março, por entender que não está configurado um dos requisitos do pedido de manutenção na posse: a turbação de direito possessório.

 

27/05/2011. O juiz titular da 10ª Vara Federal de Pernambuco, dr. Edvaldo Batista da Silva Júnior, acolhe o pedido do Sport, determinando à CBF que revogue a RDP 02/2011 e edite nova resolução “na qual conste expressamente que, em estrita obediência à sentença […], reconhece [o Sport] como único campeão brasileiro de futebol profissional”, “sem prejuízo de ser deflagrado procedimento de apuração de crime de desobediência” contra Ricardo Teixeira.

 

07/06/2011. O São Paulo Futebol Clube solicita ser admitido como assistente litisconsorcial do Sport no âmbito do processo, alegando interesse jurídico na manutenção da Taça das Bolinhas.

 

14/06/2011. Em cumprimento à sentença de 27 de maio, Ricardo Teixeira emite a Resolução da Presidência nº 06/2011, revogando a RDP 02/2011 e, “em estrita obediência à sentença”, reconhecendo “como único campeão brasileiro de futebol profissional de 1987 o Sport Club do Recife”. Esclarece que a medida entra em vigor naquele mesmo dia, “não obstante o ato judicial ser passível de recurso e apesar de [a CBF] entender que o reconhecimento do título de campeão nacional de 1987 também ao Clube de Regatas do Flamengo não contraria os limites da coisa julgada”.

 

27/06/2011. O Flamengo interpõe agravo de instrumento contra a decisão liminar de 27 de maio. Alega que a decisão ultrapassou os limites da coisa julgada, uma vez que pretende impor à CBF obrigação diversa daquela que decorre da sentença de 1994: reconhecer o Sport como único campeão brasileiro de 1987, em lugar de reconhecê-lo como campeão de 1987. Sustenta que o Sport jamais se insurgiu, pela via apropriada, contra a decisão do CND que reconheceu o Flamengo como campeão, e que também esta decisão fez coisa julgada. E alega que o Sport pretender, agora, impedir o reconhecimento do título do Flamengo é venire contra factum proprium, à luz dos resultados da assembleia geral do Clube dos Treze de 9 de junho de 1997. A CBF também interpõe agravo de instrumento. Alega, como o Flamengo, que a decisão ultrapassou os limites da coisa julgada. Alega ainda que, “não havendo hierarquia ou incompatibilidade entre as decisões proferidas” pela Justiça Federal e pelo CND, cada clube poderia ser reconhecido como campeão “em esferas distintas”.

 

28/06/2011. O relator dos agravos do Flamengo e da CBF, dr. Francisco de Barros e Silva, nega provimento aos dois recursos, por não enxergar abuso ou ilegalidade flagrantes na decisão recorrida, nem perigo de dano irreparável ou de difícil reparação.

 

26/09/2011. O juiz a cargo da 10ª Vara Federal de Pernambuco, dr. Edvaldo Batista da Silva Júnior, prolata sentença declarando satisfeita a pretensão do Sport, com a revogação da RDP 02/2011 e a declaração do clube pernambucano como o único campeão brasileiro de 1987, “extinguindo o processo com resolução do mérito”.

 

05/03/2012. O Flamengo interpõe recurso de apelação contra a sentença de 26 de setembro de 2011, pedindo a sua anulação, bem como a da RDP 06/2011, com a repristinação da RDP 02/2011. Reitera todos os argumentos trazidos aos autos, aos quais agrega o de que a sentença apelada viola o princípio constitucional da autonomia desportiva.

 

28/03/2012. A Advocacia-Geral da União abre mão do direito de recorrer.

 

19/07/2012. A 1ª Turma do TRF da 5ª Região (Recife), por unanimidade, nega provimento à apelação do Flamengo, por entender que a RDP 02/2011 violara a coisa julgada, na medida em que a sentença de 1994 “reconheceu ser o Flamengo um não-campeão” (sic). A sentença jamais se pronuncia sobre o possível efeito preclusivo do trânsito em julgado da decisão do CND, contra a qual o Sport não se insurgiu.

 

05/03/2013. O Flamengo interpõe recurso especial, pedindo seja declarada “válida, eficaz e juridicamente correta” a RDP 02/2011 ou, subsidiariamente, seja autorizada a CBF a editar nova resolução no mesmo sentido. Alega, uma vez mais, inobservância dos limites da coisa julgada, eficácia preclusiva da coisa julgada do CND e o venire contra factum proprium por parte do Sport. Na mesma data, o Flamengo interpõe recurso extraordinário, com os mesmos pedidos, mas amparado nos seguintes fundamentos constitucionais: a sentença recorrida violou o princípio da autonomia desportiva (art. 217, I, da CF), ao imiscuir-se em questão de mérito desportivo da exclusiva alçada da CBF; ao extinguir de forma prematura o feito, e ao furtar-se a analisar os argumentos do Flamengo, violou as garantias constitucionais da inafastabilidade do Poder Judiciário, do contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal e do duplo grau de jurisdição; e, ao acolher pedidos não deduzidos na petição inicial do Sport, deturpou os limites da coisa julgada material.

 

03/12/2013. A relatora dos recursos especiais do Flamengo e da CBF no STJ, ministra Nancy Andrighi, dá provimento a ambos os recursos. Reconhece como “inadequado” o procedimento adotado pelo Sport (a ação de cumprimento de sentença) para obter a revogação da RDP 02/2011, pelo menos doze anos depois de a referida sentença já ter sido efetivamente cumprida, “ao invés de, por instrumentos processuais adequados, buscar retirar do mundo jurídico a referida resolução”. A ministra não se pronuncia sobre suposta aceitação, pelo Sport, da divisão do título por ocasião da assembleia geral do Clube dos Treze de 1997, mas afirma que a sentença de 2011 de fato extrapolou os limites da coisa julgada. Imediatamente após o voto da relatora, o ministro Sidney Beneti pediu vista do processo.

 

01/04/2014. O ministro Sidnei Beneti diverge da relatora e nega provimento aos recursos especiais. Sustenta, em essência, que sentenças declaratórias podem servir de base à execução forçada, pelo que o procedimento escolhido pelo Sport não seria inadequado. No mais, dá por assentado que houve violação à coisa julgada. Na mesma data, o ministro João Otávio de Noronha acompanha o voto de Sidnei Beneti.

 

08/04/2014. Na retomada do julgamento dos recursos especiais, os ministros Paulo de Tarso Sanseverino e Ricardo Villas Bôas Cueva acompanham o voto do ministro Sidnei Beneti, negando provimento aos recursos. Diante disso, por maioria (4 a 1), o STJ negou provimento aos recursos especiais do Flamengo e da CBF. Nem o acórdão nem qualquer dos votos tratou da suposta aceitação, pelo Sport, da divisão do título, por ocasião da assembleia geral do Clube dos Treze, em 1997.

 

06/03/2015. A ministra Laurita Vaz, do STJ, admite o recurso extraordinário do Flamengo, por entender estarem preenchidos os pressupostos (repercussão geral, violação aos arts. 5º, XXXVI, e 217, I, da Constituição da República).

 

01/03/2016. O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, nega provimento ao recurso extraordinário do Flamengo. Uma vez mais, dá por assentado que houve violação à coisa julgada, sem desenvolver seu raciocínio, e que o princípio do respeito à coisa julgada “possui envergadura maior” que o da autonomia das entidades desportivas dirigentes.

 

18/04/2017. A primeira turma do STF, por três votos a um, confirma o entendimento do ministro Marco Aurélio Mello e não acolhe o recurso extraordinário do Flamengo. O único voto divergente foi o do ministro Luís Roberto Barroso, que entendeu estarem observados os requisitos do recurso e, no mérito, que a RDP nº 02/2011 não violaria a coisa julgada decorrente da sentença de 02/05/1994. Acompanharam o relator os ministros Alexandre de Moraes e Rosa Weber.

 

18/04/2017. A primeira turma do STF nega provimento ao agravo regimental interposto pelo Flamengo. O único voto dissidente foi do ministro Luís Roberto Barroso, para quem, “se a possibilidade de reconhecimento conjunto do Flamengo e do Sport não foi debatida pelas partes [no processo original]; se constituiu fato superveniente e posterior ao trânsito em julgado; pretender que se encontre coberto pela imutabilidade da coisa julgada — repita-se, sem ter sido a hipótese sequer debatida — implica conferir à coisa julgada extensão que a incompatibiliza com as garantias do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, igualmente tuteladas pela Constituição”.

 

 

05/12/2017. A primeira turma do STF nega provimento aos embargos de declaração do Flamengo, por unanimidade (na ausência do ministro Luís Roberto Barroso, e sem a participação do ministro Luís Fux, que se declarou suspeito).

 

22/02/2018. Publicada a decisão que negou provimento aos embargos de declaração.

 

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